Depois de empresas de transporte e construtoras, um laboratório de análises clínicas e até uma produtora de maçãs desembarcarem na Bovespa, chegou a vez das companhias de cartão de crédito. Na lista de empresas que preparam o lançamento inicial de ações, aparecem as operadoras Visanet e Redecard, a processadora de pagamentos eletrônicos CSU CardSystem e até a gráfica de segurança American BankNote, que faz impressões em cartões. Suas emissões, somadas, devem movimentar, no mínimo, R$ 1,5 bilhão, de acordo com estimativas de analistas financeiros. Tais previsões levam em conta o momento de forte expansão vivido pelo setor. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, os meios de pagamento eletrônico movimentaram R$ 38,3 bilhões, o que representa um crescimento de 28% em relação ao mesmo período de 2005. Consideram, também, os resultados financeiros das companhias do ramo. Na CardSystem, por exemplo, o aumento médio das receitas foi de 35% ao ano nos últimos quatro exercícios fiscais. Seu faturamento chegou a R$ 314 milhões em 2005, resultado de transações com clientes como HSBC, Nossa Caixa e Safra.

Controlada pelo empresário Marcos Ribeiro Leite, a CardSystem deve ser a primeira empresa do ramo a chegar à bolsa. A processadora de cartões só aguarda o sinal verde da CVM para marcar a data de sua estréia no Novo Mercado da Bovespa. A companhia conta com uma participação acionária do fundo americano de capital de risco Advent. E a oferta de ações, acreditam os analistas, será o veículo para a saída desses investidores do negócio. A operação está sendo coordenada pelos bancos Pactual e Credit Suisse, que já começaram a espalhar prospectos pelas corretoras. Nenhuma das duas instituições divulga o montante em ações que deverá ser oferecido. Estimativas de mercado, no entanto, apontam para algo em torno de R$ 300 milhões.

Cifras parecidas são previstas para a oferta de ações da American BankNote, empresa líder na impressão dos plásticos emitidos pelos bancos. Neste caso, a abertura de capital está sob o comando do banco de investimentos UBS. Controlada pelo grupo americano homônimo, a American BankNote tem, no Brasil, o Bradesco como acionista ? com participação de 22,5% no seu capital.

As operações envolvendo Visanet e Redecard tendem a ser maiores, mas estão menos adiantadas. A primeira ? que tem seu controle divido entre Banco do Brasil, Bradesco, Real e Visa ?, contratou o UBS para estudar a estrutura do lançamento de seus papéis. A segunda ? controlada por Itaú, Unibanco, Citibank e Mastercard ? já sondou este e outros bancos de investimento, mas ainda não tornou pública sua opção. Responsáveis por fazer a ponte entre as bandeiras de cartão de crédito e os pontos-de-venda, estas empresas têm em comum o fato de serem controladas por bancos e prestarem serviços a eles. Por isso, são comparadas às instituições financeiras quando o assunto é potencial de rentabilidade. ?O setor de cartões de crédito apresenta os mesmos fundamentos econômicos dos bancos. Isso é um atrativo para os investidores?, avalia Júlio Martins, diretor do banco Prosper. No primeiro trimestre de 2006, as ações dos bancos brasileiros de capital aberto acumularam uma valorização média de quase 24%.

NA FILA PARA O LANÇAMENTO
 

Assessoria:
A empresa contratou o banco de investimentos UBS para estruturar o lançamento de seus papéis

 

Estimativa:
Grupo americano que tem o Bradesco como sócio no País deve captar cerca de R$ 300 milhões

 

Segredo:
Companhia já sondou vários bancos, mas não revela quem coordenará sua abertura de capital

 

Dianteira:
Cotada para liderar a chegada do setor à Bolsa, empresa verá a saída do sócio americano Advent