O tema da readmissão de Honduras na Organização dos Estados Americanos confrontou novamente Brasil e Estados Unidos, durante a Assembleia Anual da OEA em Lima, nesta segunda-feira.

Em uma reunião na qual o governo peruano propôs a limitação das armas no continente, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, defendeu o retorno de Honduras à OEA, contrariando a posição do Brasil.

Clinton estimou que é preciso readmitir Honduras na OEA, de onde o país foi expulso após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

“Este é o momento para o hemisfério avançar como um todo e dar as boas-vindas ao retorno de Honduras à comunidade interamericana”, disse Clinton aos delegados dos 33 países membros da Organização dos Estados Americanos reunidos em sua 40ª Assembleia Geral.

Brasil, que deu abrigo a Zelaya em sua embaixada quando o presidente deposto voltou a Honduras meses após o golpe, estimou que “a volta de Honduras à OEA deve estar associada a medidas específicas para a redemocratização e o estabelecimento dos direitos e garantias fundamentais”.

O secretário-geral da chancelaria brasileira, Antonio de Aguilar Patriota, disse ainda que “é essencial criar condições para a plena participação do ex-presidente Manuel Zelaya na vida política de Honduras”.

Este novo confronto entre Brasil e EUA ocorre após a divergência bilateral em torno do tema nuclear iraniano.

No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o direito do Irã à energia nuclear, indo contra a posição dos EUA, que querem sanções sobre esse país que se recusa a interromper seu programa atômico.

Apesar da questão de Honduras não estar na agenda, o tema será abordado em sessão privada pelos chefes das delegações em Lima.

As Nações sul-americanas – exceto Peru e Colômbia – questionam a eleição do presidente hondurenho, Porfirio Lobo, em novembro passado, devido ao fato de que foi organizada pelos que apoiaram o golpe de Estado que derrubou Zelaya.

Em seu discurso, Clinton destacou que a região deve apreciar que Lobo foi escolhido em “eleições livres e justas”, e que o novo presidente “cumpre com as obrigações previstas nos acordos Tegucigalpa-San José”, que incluíam a formação de um governo de reconciliação nacional e de uma Comissão da Verdade para investigar o golpe.

ljc/LR