29/08/2025 - 0:24
O Brasil estuda a imposição de tarifas recíprocas aos Estados Unidos, depois que o presidente Donald Trump aplicou uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, indicaram fontes do governo à AFP, nesta quinta-feira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou uma análise interna para determinar se o país pode tomar medidas de represália contra a guerra comercial lançada por Trump, motivada pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou um funcionário com conhecimento da decisão.
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) terá 30 dias para determinar se as tarifas americanas se enquadram na Lei da Reciprocidade, segundo uma fonte diplomática. Se esse for o caso, um grupo de especialistas vai elaborar “propostas de contramedidas”, que podem incluir tarifas recíprocas, acrescentou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse esperar que isso ajude a acelerar o diálogo e a negociação com os Estados Unidos. Alckmin encerrou uma viagem ao México, onde se reuniu nesta quinta-feira com a presidente Claudia Sheinbaum.
Segundo a fonte diplomática, o governo brasileiro vai informar formalmente amanhã aos Estados Unidos sua decisão de estudar possíveis represálias. “O espaço para consultas diplomáticas permanece aberto.”
Mais cedo, o presidente Lula havia expressado sua frustração, durante um evento do governo: “A gente não conseguiu falar com ninguém dos Estados Unidos.”
A relação entre os dois países se encontra em ponto-morto desde a entrada em vigor das tarifas, no último dia 6. No mesmo dia, o Brasil recorreu à OMC contra as taxas impostas pelo governo americano. Autoridades brasileiras reconhecem, no entanto, que o recurso perante a organização é, sobretudo, “um gesto político”, do qual “não sairá algo produtivo”, ressaltou a fonte diplomática.
Aprovada em abril por unanimidade no Congresso, a Lei da Reciprocidade permite ao governo implementar contramedidas para responder a ações, políticas ou práticas unilaterais de um país ou bloco econômico que tenham impacto negativo na competitividade do Brasil.