Os conflitos políticos e sociais que concentraram as atenções do mundo em alguns países do Oriente Médio e Norte da África, desde o final do ano passado, não prejudicaram os negócios entre brasileiros e árabes. De janeiro a abril, as exportações brasileiras para as nações árabes cresceram 44,78% em relação ao mesmo período de 2010, chegando a US$ 4,085 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10/05) pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.

De acordo com o CEO da entidade, Michel Alaby, as exportações de alimentos como carne, frango e açúcar, foram responsáveis por mais de 70% da vendas. A Arábia Saudita segue no topo da lista dos principais destinos do Brasil no mundo árabe. De janeiro a abril deste ano, os sauditas compraram US$ 1,021 bilhão em produtos brasileiros, o que representou um crescimento de 33,93% ante o mesmo período do ano passado.

O segundo lugar ficou com a Argélia, que importou US$ 493,16 milhões do Brasil, um aumento de 218,81% em relação aos primeiros quatro meses de 2010. Em terceiro lugar aparece o Bahrein, para onde os brasileiros venderam US$ 191,71 milhões de janeiro a abril deste ano, ante US$ 135 milhões embarcados no mesmo período do ano passado, resultando num crescimento de 42%.

?O empresário brasileiro é um fornecedor confiável que mantém sua palavra, mantém suas vendas e o seu relacionamento. E o empresário árabe se sente tranquilo em comprar os produtos brasileiros?, disse. “Além disso, independente de crise eles vão precisar comprar alimentos”, completou.

Revolta e oportunidades

A alta no preço dos alimentos, o elevado índice de desemprego, que chega a 49,3% entre os jovens abaixo de 25 anos e a falta de perspectivas futuras para a população jovem são apontadas por Alaby como as principais causas das revoltas no mundo árabe. Segundo ele, entre as consequências deste cenário, ocorreu o aumento do preço do barril de petróleo e a redução de impostos de importação para produtos estratégicos, especialmente alimentos.

Alaby destacou ainda que, apesar da turbulência política e social em alguns países árabes, existem muitas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras na Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Marrocos, Omã, Sudão e Tunísia. ?No geral eu diria que há oportunidades para alimentos, móveis de madeira, equipamentos médicos, materiais de decoração, máquinas agrícolas, máquinas para embalagem e equipamentos rodoviários?, afirmou.

Confira entrevista com o CEO da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby: 

 

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