18/02/2011 - 10:28
Pela primeira vez na história do mercado de capitais brasileiro, executivos de uma companhia aberta foram condenados pelo uso de informação privilegiada. Luiz Murat, ex-vice-presidente financeiro da Sadia, Ancelmo Fontana Filho, ex-membro do Conselho de Administração da empresa da família Fontana e Alexandre Ponzio de Azevedo, ex-superintendente do banco ABN Amro foram condenados à prisão, mas as penas foram substituídas por prestação de serviços à comunidade. Todos estão impedidos de trabalhar no sistema financeiro ou em companhias abertas.
Os três executivos utilizaram as informações que possuíam sobre uma tentativa de aquisição hostil da Perdigão pela Sadia em 2006, após a Perdigão ter pulverizado o seu controle acionário na Bolsa. Arqui-rival da Perdigão, a Sadia planejou comprar o controle da rival na bolsa, no que seria a segunda aquisição hostil de controle do mercado brasileiro ? a primeira havia sido a compra da Lojas Americanas pelo então banco Garantia no início dos anos 90.
Apesar do sigilo que marcou a operação, os executivos compraram cerca de US$ 930 mil em papéis da Perdigão negociados na Bolsa de Nova York. Com a alta das cotações após a divulgação da oferta hostil, eles venderam os papéis com um lucro de US$ 139 mil.
Os advogados dos condenados disseram que vão recorrer da decisão e o Ministério Público vai procurar aumentar as penas.