Enquanto os dois principais candidatos à Presidência, José Serra e Dilma Rousseff, correm para inaugurar até maquetes, na capital da República a situação é diferente. A paralisia é tanta que, a três semanas das comemorações dos 50 anos de Brasília, em 21 de abril, várias obras que tinham sido planejadas para a festa do cinquentenário só ficarão prontas vários meses depois.
 

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No ano passado,  o custo do aniversário havia sido estimado em R$ 20 milhões ? e falava-se em shows de U2, Madonna, Paul McCartney e Shakira. Agora, nada está garantido. Dono de um orçamento de R$ 22,6 bilhões, o maior do País na conta por habitante, dinheiro não é problema no Distrito Federal. O que falta é alguém para tocar as obras.

O ex-governador José Roberto Arruda, preso desde 11 de fevereiro e agora definitivamente fora do cargo, pretendia usar as inaugurações como palanque para uma reeleição que até o fim do ano passado parecia certa. Mas, como não há mais um beneficiário, as obras seguem em ritmo lento e estão atrasadas reformas de monumentos como a Catedral, o Teatro Nacional e o Panteão da Pátria.

Uma das que correm o risco de não ficar prontas é o Palácio do Planalto. A construtora Porto Belo, responsável pela reforma, nega o atraso, mas seus representantes lembram que o contrato prevê uma entrega provisória, ?que vai dar condições para que o Palácio seja ocupado?, e uma definitiva, 90 dias depois. Ou seja, ainda não se sabe quando o presidente Lula deixará de despachar no Centro Cultural Banco do Brasil e voltará ao seu antigo local de trabalho.
 

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Fora do prazo: o Palácio do Planalto (acima) e a Catedral não ficarão prontos antes de 21 de abril
 

Também ficaram para depois as reformas da Catedral e do Panteão da Pátria. ?É, fica feio?, admitiu à DINHEIRO o secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, sobre o anticlímax nas comemorações dos 50 anos. ?Mas temos todo o ano do aniversário para entregar as obras?, justifica. Símbolo de Brasília, a Catedral projetada por Oscar Niemeyer será reaberta no dia do aniversário, com uma missa, mas exibindo apenas metade dos vitrais. O resto da obra, que envolve a estrutura, será concluído até junho.

No caso do Panteão da Pátria, fechado desde 2007, o prédio perdeu pedaços de seu revestimento de mármore devido aos disparos de canhão executados mensalmente durante as cerimônias de troca da bandeira. Depois de meses de abandono, a obra foi retomada, mas só deve ser entregue no fim de abril e sem as inovações planejadas pela Secretaria de Cultura do DF. ?A ideia era fazer uma sala multimídia, onde o visitante pudesse interagir com os heróis brasileiros, mas isso demanda mais tempo?, lamenta Gorgulho.

O secretário de Obras do Distrito Federal, Jaime Alarcão, confirma que o problema não é falta de dinheiro ? até porque o orçamento já estava todo empenhado. O complicador, segundo ele, é a ausência do ex-governador Arruda, que mudou a prioridade e a urgência. ?A mudança de governador naturalmente muda o foco?, diz Alarcão. Agora, a cidade de Brasília, que foi inaugurada em 1960 com parte da estrutura ainda por construir, para caber no plano estabelecido pelo presidente Juscelino Kubitschek, celebra seus 50 anos em cenário parecido.