A Austin Asis, maior consultoria da área de bancos do Brasil, virou um poço de intrigas. Os dois sócios, Alberto Borges Matias e Erivelto Rodrigues, entraram em conflito no início do ano e dispararam uma bateria de processos um contra o outro ? ao todo já são oito. E, enquanto lutam pelo controle da empresa, trocam acusações que incluem até desvio de dinheiro.
A Austin Asis começou com uma pretensão que parecia irreal, a de competir com consultorias estrangeiras como KPMG, Price Waterhouse e Arthur Andersen. Em menos de uma década, ela saiu da garagem da casa de Matias, no Tatuapé, para se transformar na empresa número um do setor, vendendo consultoria e sistemas de análise de risco de crédito e investimentos.

 

As brigas entre os sócios começaram há seis anos, com a ida de Matias para lecionar na USP de Ribeirão Preto. Ele continuou dono de metade da Austin, com um procurador ocupando seu lugar em São Paulo, mas Rodrigues é que ficou tocando o negócio ? do qual hoje se considera o dono. Rodrigues alega que trouxe clientes, desenvolveu novos produtos e gerou relacionamentos que hoje mantêm a empresa. Recentemente, ele ganhou uma liminar afastando Matias da sociedade, mas o professor recorreu. ?Convidei o Erivelto para ser meu sócio e agora ele está tentando me passar para trás?, reclama Matias, que fundou a empresa e só posteriormente vendeu 50% para Rodrigues. Ele apresentou uma notícia-crime no Ministério Público Estadual acusando Erivelto de desviar um valor estimado em R$ 250 mil. O MP determinou a abertura de um inquérito que corre no 16º Distrito Policial. ?Não há fundamento nessa acusação. Quero provas, senão vou acusá-lo de calúnia e difamação?, retruca Rodrigues. Ele, por sua vez, acusa o ex-sócio de concorrência desleal, por montar duas empresas das quais só ele era dono, a Austin Risk e a ABM Consultoria, que concorriam com a própria Austin Asis, embora usassem seu banco de dados.