Os britânicos comparecem às urnas nesta quinta-feira para o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), votação que pode mudar o país e o continente, além de abalar os mercados financeiros.

As últimas pesquisas apontam uma leve vantagem dos partidários da saída, com um número importante de indecisos que superava 10%.

Após dois meses de uma campanha dura e tensa, que teve como momento mais dramático o assassinato da deputada trabalhista e pró-UE Jo Cox, 46,5 milhões de eleitores devem responder a seguinte pergunta: “O Reino Unido deve permanecer como membro da União Europeia ou abandonar a União Europeia?”.

Os locais de votação abriram as portas às 7H00 (3H00 de Brasília) e o referendo prosseguirá até 22H00 (18H00 de Brasília).

As pessoas habilitadas a votar são os cidadãos britânicos e irlandeses com mais de 18 anos residentes no Reino Unido, os cidadãos da Commonwealth que têm permissão de residência no Reino Unido ou que não necessitem da mesma e os cidadãos britânicos que moram há menos de 15 anos no exterior.

O primeiro-ministro britânico David Cameron votou cedo.

Cameron, que convocou o referendo e defende a permanência britânica na UE, votou no centro de Londres, ao lado da esposa Samantha.

Um grande índice de participação será visto como um bom sinal para a campanha pró-UE, mas a forte chuva em Londres e outras regiões do país pode ter um impacto na votação.

“Há grandes possibilidades de que a participação seja comparável a das eleições gerais, que foi 66%. Não será uma participação como a do referendo escocês (85%), mas será razoavelmente alta. Isto significa uma vantagem para os partidários da permanência”, disse à AFP Paul Whiteley, professor de Política na Universidade de Essex.

A saída britânica da UE teria grandes impactos, provocando em um primeiro momento quedas nas Bolsas e a desvalorização da libra. Também poderia levar outros países a solicitar a saída do bloco.

Além disso, seria o fim da carreira política de David Cameron e estimularia as demandas dos independentistas escoceses e dos republicanos da Irlanda do Norte. Também deixaria em território desconhecido milhões de imigrantes europeus no Reino Unido e de britânicos na UE.

Para os que defendem o Brexit, no entanto, a ruptura com Bruxelas permitiria ao Reino Unido avançar, voltar a seu âmbito natural, o mundo anglo-saxão, frear a imigração e, usando o mantra da campanha, “recuperar o controle do país”.

O lado vencedor do referendo deve ser conhecido na madrugada de sexta-feira, dificilmente antes das 4H00 (0H00 de Brasília).

Cada um dos 382 centros de votação espalhados pelo país deve anunciar os resultados à medida que concluir a apuração. Os últimos devem ser revelados às 7H00 (3H00 de Brasília), mas a expectativa é que, um pouco antes, os votos de uma das opções já tenham superado 50%.

A primeira grande onda de resultados deve ser divulgada por volta das 2H00 de sexta-feira em Londres (22H00 de quinta-feira em Brasília).

O resultado nacional total e definitivo será anunciado na prefeitura de Manchester.

Nunca um grande país abandonou a UE desde o nascimento do projeto europeu nos anos 1950, quando as nações ainda conviviam com os escombros da Segunda Guerra Mundial e metade do continente era governado por ditaduras.

Atualmente, a UE engloba a 28 países democráticos.

O Reino Unido entrou para o bloco em 1973 e dois anos depois organizou um referendo para calar os eurocéticos, com vitória da permanência. A votação desta quinta-feira retomou o debate.

“Estamos em território desconhecido”, afirmou Chris Bickerton, professor da Universidade de Cambridge e autor de “The European Union: A Citizen’s Guide”.

“A saída seria um golpe muito duro para UE. Há muito tempo a moral não estava tão baixa em Bruxelas”, completou.