04/11/2010 - 5:42
O ex-presidente americano George W. Bush afirma em seu livro de memória que pessoalmente deu autorização para que os agentes da CIA utilizassem a ténica de tortura conhecida como ‘submarino’ com o cérebro dos ataques de 11/9, Khalid Sheikh Mohammed, informa o Washington Post nesta quinta-feira.
“Com toda certeza”, disse Bush quando indagado pela CIA se eles podiam empregar a controversa técnica que simula o afogamento do interrogado, destaca o jornal, citando uma pessoa que teve acesso ao livro do ex-presidente.
O livro de memórias de Bush, “Decision Points”, será lançado na próxima semana.
Bush teria afirmado ainda que acreditava que Mohammed possuía informações vitais sobre planos terroristas contra os Estados Unidos e que tomaria de novo a decisão de autorizar a tortura se isso significasse salvar a vida de americanos.
A CIA empregou a técnica com Mohammed e pelo menos outros dois presos em 2003, incluindo Abu Zubaydah, o primeiro membro de alto escalão da Al-Qaeda preso pelas autoridades americanas.
Depois de assumir o governo, o sucessor de Bush, presidente Barack Obama, e seu secretário da Justiça, Eric Holder, descreveram o ‘submarino’ como um ato de tortura.
Na edição de quarta-feira, o New York Times afirmou que Bush também admite no livro que teve atritos com seu polêmico vice-presidente, Dick Cheney.
Segundo o jornal, que obteve uma cópia do livro, Bush defende suas decisões e antecipa que a História o julgará menos severamente dos que os eleitores.
Ao falar de seu controverso vice-presidente, Bush disse que durante semanas considerou a proposta de Cheney de sair da chapa eleitoral para a reeleição em 2004.
“Considerei a oferta”, disse Bush, segundo o Times. “Enquanto Dick nos ajudou com boa parte da nossa base eleitoral, também havia se tornado um peso por causa das críticas da mídia e da esquerda”.
“Viam-no como um ser obscuro e sem alma”, acrescentou.
Mas, finalmente, Bush considerou que Cheney “me ajuda a fazer meu trabalho” e decidiu mantê-lo outros quatro anos na Casa Branca.
O ex-presidente republicano considera justificada a invasão ao Iraque, afirmando que o povo daquele país “está melhor agora, com um governo que o atende, e que não tortura e assassina”.
Admitiu ter se “sentido mal” ao tomar conhecimento da não existência de armas de destruição em massa no Iraque, alegação usada para justificar a invasão americana.
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