Após consolidar-se como uma das maiores redes de chocolate do Brasil, a Cacau Show avança para um novo e ambicioso capítulo: construir no interior de São Paulo um parque temático que promete ser a “Disney do chocolate” no país.

Com previsão de inauguração para 2027, o Cacau Park é a maior aposta do CEO da Cacau Show, Alexandre Costa, para 2026. A empresa fará um investimento total de R$ 2 bilhões para tirar a ideia do papel, sendo a maior parte proveniente de capital próprio, sem recorrer a financiamentos externos. Alê Costa, em entrevista à IstoÉ Dinheiro, criticou as altas taxas de juros no Brasil.

+Cacau Show conclui montagem de montanha-russa de 55 m de altura no interior de SP]

“Nosso investimento será majoritariamente com capital próprio. Estamos em uma crise profunda no Brasil e, com a Selic alta, não é sustentável permanecer onde estamos. Por isso, estamos diminuindo os prazos. Existe aquele perfil de empresário que, quando o cenário macroeconômico não está bom, para de investir. Naturalmente, é preciso ter dinheiro para investir. Não é uma boa hora para contrair dívida, é verdade. Acho que a gente vai de novo estar na frente da média, estamos fazendo um movimento contraintuitivo do mercado”, disse.

O CEO, que pretende faturar quase R$ 8 bilhões em 2025 apenas com chocolates, quer transformar o parque em uma espécie de “Disney brasileira”, reunindo hotéis, atrações e diversas experiências temáticas relacionadas ao chocolate.

O projeto espera receber cerca de 3 milhões de visitantes por ano. São mais de 900 mil m², que devem abrigar também um shopping a céu aberto. Com essa iniciativa, Alê Costa, que também administra o Playcenter em São Paulo, busca se diferenciar dos concorrentes no universo do chocolate.

“Enquanto outras marcas participam de festivais ou patrocinam eventos de curta duração, de uma ou duas semanas, como festivais de música, nós estamos criando nossa própria ativação. A grande estratégia é essa: estou construindo um parque, um lugar onde poderei receber até 30 mil pessoas por dia e contar nossa história, inclusive nas filas, enquanto elas esperam pelas atrações”, conta.

Como estão as obras no Cacau Park?

Se a ideia é concluir as obras até 2027, será necessário correr contra o tempo. Até agora, apenas 20% do parque está construído. Duas montanhas-russas já foram finalizadas, e agora será iniciada a obra da terceira.

O Cacau Park terá a maior e mais rápida montanha-russa de lançamento da América Latina. Com 55 metros de altura, o brinquedo chega a 120 km/h em apenas cinco segundos e percorre o trajeto de um quilômetro. A capacidade de atendimento é de até 1.000 pessoas por hora, com dois trens de 16 lugares cada.

Terceira montanha russa sendo montada (Crédito: Divulgação)

O parque que ficará na rodovia Castello Branco, próximo ao quilômetro 84, em Itu no interior de São Paulo, está sendo construído ao “Estilo Lego”, no sistema Steel Frame. Trata-se de um sistema de construção a seco que utiliza uma estrutura de aço para criar o “esqueleto” da edificação, substituindo a alvenaria tradicional.

Rubens Campos, CEO da Espaço Smart — empresa responsável por fornecer 97% do volume de aço utilizado na estrutura do parque, totalizando mais de 500 toneladas, sem considerar o utilizado na estrutura dos brinquedos — afirma que o sistema acelera o cronograma, eleva o controle de qualidade e amplia a sustentabilidade da obra.

“O Steel Frame substitui a alvenaria convencional por perfis de aço galvanizado, produzidos sob medida e enviados prontos para montagem no canteiro. Essa tecnologia industrializada facilita as etapas de finalização, reduz retrabalhos, diminui a geração de resíduos e otimiza o uso de recursos — fatores essenciais para um parque dessa dimensão. O sistema permite que a construção seja concluída até três vezes mais rápido do que a alvenaria tradicional, garantindo precisão, organização e maior desempenho em todas as fases da obra”, explica.

O Steel Frame será utilizado nas edificações do parque, ou seja, nas obras que não fazem parte da estrutura dos brinquedos. O uso desse sistema permitirá atingir um prazo de construção mais curto para um projeto desse porte.

Questionada pela IstoÉ Dinheiro, a prefeitura de Itu, onde o parque está sendo construído, disse que as obras avançaram de forma significativa nos últimos meses. Veja a nota na íntegra:

A Prefeitura confirma que o alvará de construção do Parque da Cacau Show já foi expedido, autorizando oficialmente a execução do empreendimento no município. Com a liberação, as obras avançaram de forma significativa nos últimos meses.

Atualmente, diversos brinquedos já estão instalados no local, incluindo estruturas de grande porte. Além disso, várias edificações e elementos construtivos encontram-se em andamento, com frentes de trabalho atuando simultaneamente em diferentes setores do parque.

A área destinada ao estacionamento está em fase de finalização, já apresentando pavimentação, infraestrutura operacional e preparação para sinalização e acessos internos.

O empreendimento, com investimento privado de grande escala, segue dentro do cronograma estabelecido pela empresa responsável. A implantação tem mobilizado equipes técnicas, equipamentos e obras de infraestrutura em ritmo acelerado.”

Mundo maia, uma das atrações (Crédito: Divulgação)

Areas temáticas do parque:

  • Fantástica Floresta do Cacau: explorando a origem amazônica do cacau;
  • Aventura Maia: inspirada nas antigas civilizações mesoamericanas;
  • Vila laCreme: um tributo à arquitetura europeia e à história do chocolate no continente;
  • Fábrica Show: uma fábrica divertida, mágica, cheia de surpresas, inspirada nas fábricas da Cacau Show;
  • Universo Dreams: um espaço tecnológico que celebra o futuro e os sonhos

Autuação por irregularidades trabalhistas

No final de novembro, o parque foi autuado pelo Ministério do Trabalho por irregularidades trabalhistas, incluindo pagamento de salários abaixo do piso e uso de sindicato inadequado para parte dos 450 funcionários. A empresa negou irregularidades, afirmou que as obras são uma fase transitória com prestadoras especializadas e disse estar colaborando com as autoridades para regularizar a situação.

Alê Costa classificou o episódio recente envolvendo a fiscalização de auditores na obra do parque como um “absoluto equívoco”. Segundo o CEO, o problema surgiu de uma interpretação incorreta sobre o enquadramento da empresa e de seus funcionários.

“Hoje, já existe a Cacau Park, que é uma empresa constituída e está em funcionamento. Ela conta com 165 funcionários, incluindo gerentes de financeiro, RH, marketing, auditoria, entre outros. Essa empresa está enquadrada no sindicato de parques de diversão, não no sindicato de construção civil, portanto houve um equívoco. O próprio chefe da fiscalização já reconheceu isso e comentou que seria bom ter entendido antes. Enviamos as defesas e certamente não teremos maiores reflexos por conta disso” disse.

A IstoÉ Dinheiro procurou o Ministério do Trabalho para mais informações sobre essa questão, mas ainda não obteve retorno.