Quem circula pelo sofisticado circuito gastronômico de São Paulo já deve ter notado que após a refeição o garçom traz uma xícara branca com o logotipo do Café do Centro estampado na lateral da peça. Isso acontece dezenas de vezes por dia no Fasano e se repete no Parigi, no Charlô, na La Pasta Giulla e em outros points freqüentados pelos endinheirados da cidade. No restaurante Dom existe até uma carta de cafés especiais, cujos grãos são colhidos em seis regiões do País, capazes de agradar o paladar do mais exigente comensal.

Por trás desse negócio estão os jovens empresários Rafael e Rodrigo Branco Peres, de 29 anos e 28 anos, respectivamente. A mais famosa bebida do País rende R$ 14,4 milhões por ano à Café do Centro. E tudo indica que os ganhos deverão aumentar. ?Enquanto o consumo per capita do café em geral caiu 0,97% em 2003, a demanda pelo expresso avançou 15%?, festeja Rafael. Os restaurantes sofisticados absorvem metade das 25 toneladas de cafés nobres em grão vendidos pela companhia a cada mês. Nas mesas da alta roda paulistana são consumidas 1,5 milhão de xícaras nesse período. O restante segue para clientes selecionados de norte a sul do País.

 

O negócio ? iniciado em 1995 quando o Grupo Branco Peres comprou a marca Café do Centro, da família Nahun ? é a parte mais visível do complexo industrial paulista que fatura US$ 150 milhões por ano com suco de laranja, cana-de-açúcar, café e álcool. ?Somos o xodó da família?, brinca Rafael. Ao assumirem o comando da Café do Centro, eles sabiam que teriam uma pedreira pela frente. Recém-formados em administração, Rafael e Rodrigo foram descobrir os segredos do setor. Partiram para Barcelona onde fizeram estágio na Rovvi Cafe, uma das mais famosas torrefações do mundo. Aprendida a lição, eles arriscaram um vôo mais alto. Em 2001, a dupla foi ao restaurante Dom oferecer o produto ao chefe e sócio do local, Alex Atala, notório conhecedor da bebida. ?Após um ano de negociações, fechamos contrato?, lembra Rafael. Também bancaram, no Fasano, um ?teste cego? (no qual a bebida é provada sem que se saiba qual é o fabricante) envolvendo cinco marcas. ?Avisei que se a maioria dos 17 degustadores nos reprovasse sairíamos de cena?, lembra Rodrigo. Venceram por 14 a três.

Ao mesmo tempo em que consolida a presença no circuito gastronômico, a dupla busca ocupar espaços no exterior. A partir de 1º de junho, a marca estará nas gôndolas da rede varejista francesa Casino. É bem verdade que a operação é modesta. O carregamento de café e cappuccino vai render US$ 235 mil. ?O mais importante agora é abrir novos mercados?, argumenta o sócio Rodrigo. Eles já
estão no Japão, Chile, Argentina e Estados Unidos. As vendas externas garantem
US$ 1 milhão por ano à empresa. No total, os embarques de cafés nobres movimentaram US$ 12,8 milhões em 2003. O segredo do Café do Centro, diz a
dupla Rafael-Rodrigo, é a seleção dos fornecedores e a terceirização de etapas
não essenciais: transporte e distribuição, por exemplo. A compra da matéria-
prima é feita em 15 fazendas localizadas em Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Bahia). A entrega dos grãos é acompanhada desde a porta da propriedade até a torrefação. O produto de cada fornecedor passa por testes periódicos em institutos de inspeção de qualidade. Afinal, o Café do Centro é
um senhor, nascido em 1916, que tem um nome a zelar.