27/11/2025 - 14:39
O Brasil registrou saldo positivo de 85.147 postos de trabalho em outubro, resultado de 2.271.460 admissões e 2.186.313 desligamentos no período. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quinta-feira, 27.
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O resultado ficou abaixo das estimativas registradas em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 105.000 vagas. Foi o menor saldo positivo para o mês de outubro desde 2019.
É necessário destacar, no entanto, que houve mudanças no método de contagem no ano de 2020, o que torna a comparação com anos anteriores imprecisa. Na nova série histórica, chamada de “Novo Caged”, foi o menor resultado registrado para o mês, conforme mostra o gráfico abaixo:

Com o resultado, o estoque de empregos formais chega a 48.995.950 postos. O crescimento relativamente pequeno em outubro ocorre após meses de grande aquecimento no mercado de trabalho do país. O último resultado negativo, de -554.529, ocorreu em dezembro de 2024.

Ao divulgar os dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou a culpar a alta da taxa básica de juros, a Selic, pela desaceleração do mercado de trabalho. O chefe da pasta disse ainda acreditar que em breve “vai deixar de ter crescimento pequeno e começar a ter decréscimo real”.
“Eu tenho chamado a atenção desde maio”, disse o ministro. “É momento mais que urgente do Banco Central tomar medidas em relação ao monitoramento da taxa de juros, porque há um amplo entendimento que isto está inibindo o ritmo dos investimentos. Tem investimentos comprometidos por parte das empresas, que desaceleram a partir dos juros.”
Indústria, Agropecuária e Construção fecham postos de trabalho
O setor de Serviços foi o principal motor da geração de empregos no mês, com 82.436 novos postos. O Comércio também registrou saldo positivo, de 25.592 vagas.
Já as outras áreas monitoradas pelo Caged tiveram saldo negativo no mês. A Indústria teve o pior desempenho, com fechamento de 10.092 postos. Na Agropecuária, o encolhimento foi de 9.917, e na Construção, de 2.875.
No acumulado do ano, entre janeiro e outubro de 2025, todos os cinco grupamentos de atividades econômicas no Brasil apresentaram saldo positivo na criação de empregos formais. O setor de Serviços liderou esse crescimento, com 961.016 novos postos. Em seguida, a Indústria geral contribuiu com 305.641 vagas, o Comércio com 218.098, a Construção com 214.717 e, por fim, a Agropecuária com 101.188 postos.
Contratações dos mais jovens, demissões dos mais velhos
Os dados do Novo Caged mostram que a criação de empregos formais em outubro foi impulsionada pelas faixas etárias mais jovens, enquanto o grupo mais velho registrou um saldo negativo.
O grupo etário de 18 a 24 anos liderou a criação de vagas, registrando um saldo de 80.365 postos. Seguem-se os trabalhadores de 25 a 29 anos, que adicionaram 23.586 vagas, e os adolescentes de até 17 anos, com 5.120 postos. Já a faixa etária de 30 anos ou mais registrou um fechamento de 23.924 postos de trabalho.
