Gerar caixa é uma das missões mais importantes de qualquer empresa, afinal, é daí que saem recursos para investir, pagar contas e, principalmente, remunerar acionistas. Para a Vale, parte dessa tarefa virá da implantação de novos projetos e, sobretudo, de uma mudança bem recebida da legislação da Indonésia.

Entre o ramp up de novos projetos (o jargão dos gestores para a curva de crescimento de receita e produção de empreendimentos com várias fases de implantação) e as exportações de níquel a partir da Indonésia, a Vale espera aumentar seu ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) entre US$ 3 bilhões e US$ 7 bilhões nos próximos anos, afirmou seu presidente, Murilo Ferreira, em teleconferência com analistas nesta quinta-feira 27.

A empresa encerrou 2013 com ebitda ajustado (descontando fatores não recorrentes) de US$ 22,7 bilhões, o terceiro melhor de sua história e 18% maior que o de 2012, também em dólares. O resultado foi alcançado, segundo a companhia, pela redução de US$ 2,8 bilhões em gastos no ano passado.

Novos projetos

Agora, a Vale espera reforçar o caixa com a entrada de receitas geradas pelo início da produção de projetos em andamento. Somente para 2014, oito dos 13 principais projetos em desenvolvimento começarão a produzir. No primeiro semestre, por exemplo, deve ser dada a partida na usina de pelotização Tubarão VIII, instalada no Espírito Santo e com capacidade para 7,5 milhões de toneladas por ano.

No segundo semestre, a produção em Minas Gerais deve ser reforçada pela inauguração de uma planta de beneficiamento de minério de ferro, batizada de Vargem Grande Itabiritos, com capacidade adicional de 10 milhões de toneladas por ano. Também em Minas, a Vale está adaptando uma planta de itabiritos de baixo teor na mina de Conceição, conhecida como Conceição Itabiritos II. A planta terá capacidade nominal de 19 milhões de toneladas.

Os projetos de expansão ou implantação de novas unidades já geraram um ebitda adicional de US$ 1,7 bilhão para a empresa no ano passado.

Mas a maior contribuição para a geração futura de caixa da empresa veio do outro lado do mundo. Neste mês, o governo da Indonésia proibiu as mineradoras que operam no país de exportar minério de níquel bruto. O objetivo é incentivar a exportação de minério refinado para aumentar a renda gerada com o comércio internacional.

Impulso

A decisão beneficia também a Vale, já que a empresa mantém naquele país uma grande operação de níquel, batizada de Vale Indonésia, e é uma das maiores produtoras mundiais do metal. Para se ter uma ideia, segundo Ferreira, desconsiderando-se o impulso indonésio, o ebitda da empresa subiria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Com a nova regulamentação indonésia, o teto passou a US$ 7 bilhões, ou 75% mais que o anterior. “É uma mudança expressiva de valores”, afirmou na teleconferência.

A Indonésia hoje é a principal fornecedora de níquel para a China, respondendo por cerca de 70% do abastecimento. Os analistas esperam que a nova legislação reduza os estoques de minério de níquel bruto na China neste ano, estimados em 30 milhões de toneladas.

Com as restrições, a Vale estima também que o preço médio do metal volte a subir. Atualmente, segundo a empresa, sua cotação está abaixo dos preços de custo. Atualmente, o metal é negociado em Londres a cerca de US$ 14 mil por tonelada. Em seu pico, em 2007, o valor chegou a US$ 33 mil. Ferreira, no entanto, preferiu ser moderado sem suas expectativas. “Não acredito que os preços voltem ao patamar de 2007”, afirmou na teleconferência de hoje. De qualquer modo, será uma ajuda e tanto para o caixa da Vale.