Empresas de capital aberto da Califórnia estão proibidas por lei de manterem apenas homens em seus conselhos administrativos. A partir desta segunda-feira (1) – e com prazo de até o fim de 2019 para se adequarem -, os grupos gestores devem contar com ao menos uma mulher entre seus representantes.

De acordo com a CNN, a nova legislação também força as companhias com cinco diretores colocarem duas mulheres entre os gestores até 2021. O mesmo prazo vale para que conselhos com seis ou mais representantes coloquem três ou mais mulheres entre eles.

A Califórnia é o primeiro do Estado norte-americano a adotar esta legislação. A medida foi aprovada pela Assembléia Legislativa no mês passado e sancionada pelo governador Jerry Brown no domingo (30), junto com uma série de outros projetos que visam “proteger e apoiar mulheres, crianças e famílias trabalhadoras”, disse o gabinete do governador em um comunicado .

Segundo um levantamento da PwC, a maioria das empresas cotadas no mercado aberto possuem ao menos uma mulher no quadro de diretoria. Porém, apenas 25% mantêm mais de duas na mesma posição.

“Com as mulheres compreendendo mais da metade da população e fazendo mais de 70% das decisões de compra, sua percepção é fundamental para as discussões e decisões que afetam a cultura corporativa, as ações e a lucratividade”, disse a senadora estadual da Califórnia, Hannah-Beth Jackson, ao The Wall Street Journal.

Medida gera polêmica

Como era previsto, a medida também causou polêmica. Para Vicki W. Kramer, escritora e pesquisadora sobre os conselhos gestores dos EUA, os críticos podem argumentar que a imposição da lei levará mulheres desqualificadas aos postos de liderança ou gerará discriminação contra candidatos do sexo masculino.

Para a pesquisadora, no entanto, a legislação da Califórnia ainda é fraca em comparação com as leis da Noruega e outros países europeus. Para grandes empresas norueguesas, a legislação exige que as mulheres representem até 40% do conselho.