O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta terça-feira,  26, que o partido vai introduzir, na carta compromisso dos candidatos  petistas nas eleições municipais de outubro, cláusula em que se declaram  ”plenamente responsáveis” por sua campanha, principalmente pelo  financiamento. O objetivo é evitar que o partido seja responsabilizado  por atos de corrupção eleitoral praticados por algum de seus  integrantes.

“Não é desconfiança de ninguém, mas, como  muitas vezes há um erro, um deslize, não queremos que haja nenhuma  responsabilização do partido”, afirmou Falcão em entrevista coletiva,  durante reunião da Executiva Nacional do PT. Segundo ele, diante das  novas regras que não permitem o financiamento privado, o partido  pretende “fiscalizar bastante” toda a campanha, para evitar que o  financiamento empresarial continue.

“A campanha vai exigir  criatividade, ampla participação da militância, da sociedade organizada,  dos movimentos sociais. Vai requerer formas criativas de  financiamento”, disse. De acordo com o dirigente petista, diante desse  cenário, o partido pretende ampliar o leque de candidaturas, incluindo  mais candidaturas de mulheres, da juventude e de movimentos sociais,  para que haja mais espaço para defesa sigla.

Fazenda

Falcão  afirmou ainda que, para o PT, a nomeação do ministro Nelson Barbosa  para o Ministério da Fazenda em substituição a Joaquim Levy “marcou uma  diferença”, pois pelo menos “desinterditou” o debate sobre mudanças na  política econômica. O dirigente ressaltou mudanças positivas já  realizadas na economia desde a troca, mas defendeu que é preciso abrir  uma “nova etapa no debate” da política econômica.

“Achamos  que a nomeação do ministro Nelson Barbosa em substituição ao Joaquim  Levy marcou uma diferença, pelo menos desinterditou o debate sobre  perspectivas de mudanças na política econômica. E houve mudanças  positivas nesse começo do ano”, afirmou. O elogio a nomeação de Barbosa  também consta da resolução política divulgada pela legenda após o  encontro.

O presidente do PT destacou que a condução da  política econômica deve ser pautada principalmente por políticas de  emprego. Para ele, o Banco Central deu uma sinalização positiva ao  manter os juros em 14,25% ao ano na última reunião, ainda que a medida  ”seja insuficiente” para enfrentar a recessão em curso e desonerar o  Estado dos custos da dívida pública. Na avaliação do dirigente petista, a  decisão é o primeiro passo para o prosseguimento da redução gradual dos  juros.

Entre as mudanças positivas, Falcão citou o  aumento, acima da inflação, do salário mínimo e dos pisos da previdência  e dos professores; a regulamentação da lei que altera o indexador da  dívida de Estados e municípios com a União; a sanção lei que permite aos  advogados ter acesso aos autos dos processos em qualquer fase do  inquérito e o custeio de cirurgias pelo SUS para mulheres vítimas de  violência sexual.

“Embora tenha arrefecido, a campanha dos  golpistas ainda não cessou, e é preciso combatê-la. E uma das medidas  de fortalecer a resistência antigolpista é abrir uma nova etapa no  debate da política econômica”, defendeu. De acordo com ele, o partido  vai continuar defendendo suas bandeiras, independentemente de o governo  ter ou não maioria para aprová-las no Congresso. Entre as mudanças,  destacou uma reforma tributária, com ajustes na tabela do Imposto de  Renda.

Aposentadoria

O presidente do PT  defendeu também a discussão prévia com representantes dos  trabalhadores, aposentados, empresários e governo da proposta de fixação  da idade mínima para aposentadoria no Brasil. Segundo ele, o governo  não pode fazer a discussão “de cima para baixo”. O dirigente petista,  contudo, evitou dizer qual o posicionamento da legenda em relação à  proposta, defendida pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

“Não  tem uma resposta de sim ou não. Somos favoráveis ao debate instituído  pelo governo em fórum quadripartite. Não somos a favor de decidir de  cima para baixo”, afirmou Falcão. O assunto consta em resolução  divulgada pelo partido após a reunião. No documento, a sigla diz que a o  fórum quadripartite criado pelo próprio governo é “bom exemplo do único  caminho aceitável” para a discussão sobre o assunto.

Às  vésperas do reinício dos trabalhos legislativos, o presidente nacional  do PT afirmou que a Executiva Nacional do partido está orientando suas  bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal a prosseguirem no  combate à pauta do retrocesso. Entre os projetos a serem combatidos ele  citou o que estabelece o estatuto da família e altera o estatuto do  desarmamento, além do que reduz da maioridade penal, que cria a lei  antiterrorismo e que altera a participação da Petrobras na exploração do  pré-sal.