Sete anos atrás, em 1995, o engenheiro Emílio Umeoka foi convidado por Mauro Muratório, então gerente-geral da Microsoft do Brasil, para assumir um cargo de direção na filial brasileira da empresa de Bill Gates. Àquela altura Umeoka tinha 32 anos e comandava sua própria empresa ? a Wild West ? que fornecia soluções de automação de escritórios baseadas nos programas da Microsoft. Ele ponderou a oferta e decidiu recusá-la, mas não seguiu com seu negócio. Acabou aceitando o convite de um amigo de infância para trabalhar como diretor de contas corporativas da Compaq para o mercado brasileiro. Duas semanas atrás, a mesma Microsoft voltou à carga com Umeoka ? e, desta vez, ele não disse não. Aceitou e vai assumir em 1º de julho a direção da empresa no Brasil, deixando para trás sete anos de Compaq, dois dos quais como presidente da filial brasileira, recém-incorporada à HP. ?Minha relação com a Microsoft já é bastante antiga e acredito demais no potencial da subsidiária brasileira?, disse Umeoka. Ele vai assumir o lugar do executivo português Rodrigo Costa, que dirigia a Microsoft brasileira desde agosto de 2001. Tendo cumprido o objetivo da sua interinidade ? contratar um brasileiro para dirigir o escritório da companhia ?, Costa agora assumirá nos Estados Unidos a posição de vice-presidente mundial de OEM.

O que Umeoka terá pela frente na Microsoft brasileira não é exatamente um desafio. A empresa ocupa a 10ª posição no ranking das filiais e faturou cerca de US$ 450 milhões no ano passado, com um crescimento de 3% sobre o período anterior. Com apenas 280 funcionários, esse é um dos maiores faturamentos per capita da companhia no mundo. Na verdade, portanto, o novo gerente-geral terá a tarefa de manter o barco na rota. E a Microsoft acredita que sua experiência no setor e seu conhecido espírito de equipe vão ajudar. Como presidente da Compaq, ele teve contato íntimo com o mercado de PCs, cujo crescimento ainda é um dos motores fundamentais da indústria de software. No ano passado, por exemplo, a venda de PCs no varejo cresceu 5%, condicionando a expansão do resto do setor. Embora não seja mais especialista em software, Umeoka conhece em primeira mão a clientela do mercado de informática brasileiro e tem experiência na cultura das multinacionais americanas do setor. O tempo vai mostrar se tem, também, a personalidade necessária para liderar uma das empresas mais agressivas do mercado de tecnologia. ?Ele é muito ligado ao resultado numérico das operações, o que é essencial para um mercado como o brasileiro, que é consumidor e não produtor de tecnologia?, afirma Ricardo Cidale, amigo de infância, ex-sócio e atual vice-presidente de vendas da Real Networks para a América Latina. Além de conhecer as pessoas do mercado, Umeoka também é conhecido por elas ? e isso nem sempre é uma vantagem. Um dos fabricantes nacionais de PCs com quem ele trocou caneladas jurídicas em nome da Compaq antecipa um relacionamento difícil com o novo chefão da Microsoft. ?Esse sujeito não entra na minha empresa?, promete o empresário, que pediu para não ser identificado. Umeoka deixa a Compaq ? agora, HP ? na condição de terceiro fabricante de PCs do Brasil. Quando ele assumiu a companhia ela era a primeira do ranking.

Esportista. Casado e pai de duas filhas, o novo executivo da Microsoft formou-se em engenharia de petróleo pela Universidade do Texas. Ele chegou lá convidado, graças aos seus tempos na piscina. Umeoka era e segue sendo um exímio nadador. Depois da faculdade ele foi trabalhar com a Schulumberger em Angola, na extração de petróleo, e acabou se interessando por informática ? o que o conduziu à sociedade na Wild West, em 1991. O próximo passo foi a Compaq ? com quem ficou três anos no Brasil antes de embarcar para os Estados Unidos, de onde retornaria em 2000 como presidente da filial. Sua missão era levar a empresa para além do mercado de PCs, criando um novo espaço de serviços corporativos e de internet. Foi sua a polêmica decisão de tirar a Compaq brasileira do mercado de varejo de PCs. Com a fusão da HP e da Compaq, a direção da nova empresa foi entregue ao executivo brasileiro da HP, Carlos Ribeiro. Umeoka ficou sem função e o convite da Microsoft veio em boa hora.