O relator da comissão especial que analisa o processo de impeachment  da presidente Dilma Rousseff, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), rebateu  os comentários do advogado-geral da União, ministro José Eduardo  Cardozo, sobre o seu parecer. Ele afirmou que Cardozo “é muito bem pago  para defender o governo”. Apesar de considerar o posicionamento  legítimo, Jovair disse ainda que não aceita nenhuma das críticas do  ministro como sendo verdadeiras.

“Eu não sou jurista, mas  Cardozo está dando um entendimento de que não lê direito a Constituição,  que não aplica as leis do País na prática do seu uso como dirigente. Eu  estou absolutamente seguro que fiz tudo dentro das regras e normas  democráticas, dentro de um livro chamado Constituição e do regimento da  Câmara dos Deputados, sem nenhum desvio de conduta em todo o período”,  defendeu-se o parlamentar.

Jovair insinuou que Cardozo  deve estar “preocupado com a dureza do relatório e a firmeza do ponto de  vista jurídico, técnico e político”. “Ele tem direito de achar o que  ele quiser, agora eu estou usando a minha prerrogativa de relator de um  instrumento poderosíssimo, o impeachment. Quem não estiver satisfeito  com isso pode entrar na justiça, o Supremo Tribunal Federal (STF) existe  para isso”, provocou o deputado.

O petebista demonstrou  otimismo sobre a aprovação do relatório final que deverá acontecer na  próxima segunda-feira, 11. “Será aprovado”, afirmou. Ele declarou ainda  que o seu parecer busca resgatar a condição de legislador da Câmara,  que, segundo ele, vem sendo “usurpada” pelo Judiciário e Executivo.  ”Para ser legislador tem que ter voto popular, nós tivemos. Então os  deputados e os senadores é que falam sobre orçamento, como e para onde  vai.”

“Antes de ter autorização para mudar o rumo de  qualquer orçamento, tem que ter autorização legislativa. Se essa Casa  não votar o meu relatório, é porque realmente essa Casa quer ser  usurpada da sua condição ou da sua prerrogativa de poder fazer leis, aí  deixa que o Judiciário continue fazendo como tem feito, deixa que a  presidência da República faça como está fazendo usualmente”, disse o  deputado.

Em coletiva realizada hoje, Cardozo reafirmou que  o relatório de Jovair tem equívocos técnicos e jurídicos e que o  documento colide com a Constituição. Para o advogado-geral da União, o  parecer apresentado na última quarta-feira mostra que o impeachment é um  processo político, sem base legal. Neste momento, a comissão do  impeachment realiza sessão de debates sobre o parecer.