01/10/2026 - 15:40
O mercado brasileiro de carros elétrificos atinge a marca de 1 milhão de unidades e projeta um crescimento exponencial para os próximos anos. Representantes da indústria estimam que o Brasil pode chegar a 3 milhões de emplacamentos até o fim da década, impulsionado pelo aumento de montadoras e discussões sobre a fabricação local de automóveis.
O que aconteceu
- O Brasil superou a marca de 1 milhão de carros elétricos e projeta 3 milhões até 2030.
- Otimismo da indústria cresce com mais montadoras e discussões sobre produção local.
- Redução de impostos em 2016 foi estratégica, mas reequilíbrio das tarifas é debatido.
Adriano Rufino, vice-presidente do Instituto Brasileiro Mobilidade Sustentável e diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), é um dos otimistas. Durante um painel no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), Rufino incluiu na sua projeção a chegada dos eVTOLs, popularmente conhecidos como “carros voadores”, ao país.
Após uma série de imersões em mercados de países como China, Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai e Paraguai, Rufino avalia que o Brasil ainda possui um vasto potencial de crescimento. “Outros países latino-americanos estão até à frente de nós”, afirmou o especialista no evento.
Nesta semana, a ABVE celebrou a marca de 1 milhão de veículos eletrificados no território nacional. O montante abrange leves elétricos, híbridos plug-in e híbridos plenos. Atualmente, 30 montadoras são responsáveis por atender à crescente demanda por esses modelos no Brasil, conforme detalha Rufino.
Otimismo para a mobilidade sustentável
No Brasil, 16 marcas já produzem veículos elétricos. Esse grupo inclui modelos do conglomerado Stellantis e as recém-chegadas companhias chinesas, como a Baic, que anunciou uma fábrica local e o lançamento de 10 novos veículos na região até 2030.
Outra gigante do setor é a GWM, que em 2025 iniciou as operações de sua fábrica em Iracemápolis, interior de São Paulo, assumindo uma antiga unidade da Mercedes-Benz. Segundo Thiago Sugahara, gerente ESG e stakeholders da montadora no Brasil, a transformação do mercado automotivo foi determinada pela chegada de players estrangeiros no início desta década.
“Em 2023, tivemos a chegada de novos players, dentre os quais a GWM. Eles trouxeram novas tecnologias até então inacessíveis aos brasileiros”, conta Sugahara. “O diferencial foi trazer essas tecnologias com preços acessíveis. Permitiu que o consumidor local pudesse escolher a melhor tecnologia de plug-in e elétricos para extrair mais da eletrificação.”
Como a isenção de impostos molda o mercado?
Um dos pilares desse avanço foi a redução dos impostos sobre veículos eletrificados, uma medida implementada pelo Governo Federal em 2016. “Foi estratégico para que essas montadoras pudessem trazer tecnologias de mercados mais maduros para testar no Brasil”, explica Sugahara.
A política fiscal era gradual: as tarifas alfandegárias seriam elevadas progressivamente de 12% para híbridos e 10% para os totalmente elétricos, até alcançarem o patamar de 35% para todos os modelos em 2026.
Para Sugahara, o cenário de fato mudou. A redução da alíquota, importante em um determinado momento, deveria ser reequilibrada, na visão das montadoras já instaladas no país. “Não é só o montador, toda a cadeia de autopeças. Quando falamos em veículo plug-in, até mesmo a cadeia de infraestrutura é afetada”, argumenta.
Adicionalmente, o desenvolvimento de tecnologias de veículos híbrido plug-in flex estimulou a demanda nos últimos anos. No Brasil, empresas como a GWM alinharam-se com indústrias locais para desenvolver alternativas que pudessem ser abastecidas por etanol. Atualmente, 80% de todos os veículos eletrificados comercializados são híbridos plug-in e totalmente elétricos, superando os híbridos leves.
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