31/08/2005 - 7:00
Uma nova aposta das administradoras de cartão pode ser o tiro de misericórdia no cheque. É o cartão de débito pré-datado, uma evolução do dinheiro de plástico que permite ao consumidor parcelar eletronicamente o pagamento das compras, sem acréscimo de taxas, como se faz normalmente com cheques. A Visa tem no momento três projetos pilotos com o novo meio de pagamento – um deles, com o Banco do Brasil. A empresa não revela os nomes dos outros parceiros, mas executivos do mercado acreditam que sejam Bradesco e ABN, já que ambos, além do BB, são parceiros da administradora de cartões na Visanet. De seu lado, a Mastercard termina em outubro a migração de todos os cartões de débito da marca Redeshop para a plataforma Maestro, já preparada para receber esta nova função. ?Além da ausência de taxas, o cartão de débito pré-datado tem outra vantagem importante sobre o parcelamento no cartão de crédito?, afirma Murilo Barbosa, vice-presidente de produtos da Mastercard. ?Enquanto no crédito a primeira parcela vem sempre no vencimento da fatura, no débito o consumidor poderá programar os pagamentos para a data que lhe for mais conveniente?, explica ele.
O uso corrente do cartão de débito pré-datado vai depender muito da negociação entre o consumidor e o estabelecimento comercial, como acontece com o cheque. É nesse momento que serão definidos, por exemplo, o limite para a compra parcelada e a quantidade de prestações. Em caso de inadimplência, quem assume o risco é a emissora do cartão, ou seja, o banco. Por isso mesmo, a tendência é que se forneça o benefício ao correntista que já tem limite de crédito pré-aprovado. ?O cartão de débito já substituía o dinheiro com amplas vantagens, como segurança e agilidade?, afirma Eduardo Chedid, vice-presidente de produtos da Visa. ?Agora, substituirá o cheque em sua principal função no Brasil de hoje: o pagamento pré-datado.? No entanto, como toda novidade, o cartão pré-datado pode ter efeitos colaterais. Há o risco, por exemplo, de ele roubar espaço do próprio cartão de crédito.
O fato é que o cartão de débito já é o carro-chefe das administradoras. O segmento registrou o maior crescimento na quantidade de plásticos em circulação e de transações realizadas, de acordo com pesquisa recente da Abecs. Dos 303,5 milhões de cartões existentes no mercado brasileiro, 155,7 milhões são de débito ? um aumento de 15% nos últimos 12 meses. A movimentação financeira dos cartões de débito também cresceu. Passou de R$ 3,8 bilhões em julho de 2004 para R$ 5,4 bilhões no mês passado. Na Mastercard, por exemplo, o número de cartões Maestro é de 64 milhões – mais que o dobro dos 29 milhões de cartões de crédito da bandeira. ?O negócio de débito é tratado como prioridade pela Mastercard, e o Brasil tem grande relevância nessa estratégia mundial? afirmou à DINHEIRO Richard Lions, vice-presidente global da Mastercard. O cartão de débito pré-datado foi desenvolvido única e exclusivamente para o mercado brasileiro, por causa do arraigado hábito local de se parcelar pagamentos com vários cheques.
O negócio também é atraente para os bancos. ?Com o aumento do uso dos cartões, ganhamos não só em receita como na redução dos custos com processamento e compensação dos cheques?, observa Aldemir Bendine, gerente da área de cartões do Banco do Brasil. Pelos seus cálculos, o custo de compensação de um cheque é cinco vezes maior que o do pagamento por meios eletrônicos. O volume de compras com cartão pré-datado é ainda irrisório no BB: 1% das transações com todos os tipos de cartão. Mas, à medida em que os demais bancos forem aderindo à novidade e os estabelecimentos comerciais estiverem com suas máquinas adaptadas a estas transações, este movimento tende a se transformar em uma verdadeira revolução nos meios de pagamento.