Os hackers não assustam somente as pessoas comuns. Quem mais teme a ação nefasta desses piratas da informação, na realidade, são as companhias que fecham negócios com grandes quantidades de dinheiro por meio da rede. Os bancos, com seus serviços de internet banking, são os mais visados. ?Há um ano, existiam 1,2 milhão de clientes acessando o site do Banco do Brasil. Hoje são 3 milhões, um volume equivalente ao de 400 agências reais?, diz Márcio Liberbaum, presidente da Certisign. Além dos bancos, a empresa é uma das que mais comemoram o aumento da utilização das transações on-line. O acesso à conta no Banco do Brasil, por exemplo, só é permitido com um selo de segurança que é vendido pela empresa. Com ele, o correntista tem a certeza que seus dados estão sendo enviados para o banco e a instituição financeira, por sua vez, tem a garantia de que a mensagem foi realmente mandada por aquele autor. A Certisign deverá faturar este ano US$ 20 milhões.

A Certisign nasceu há cinco anos no Rio de Janeiro, quando a Internet ainda estava sendo gestada. ?Quando os empresários mal conheciam a www, tinha de explicar a importância da segurança nas suas comunicações e oferecer um produto que, mesmo hoje, é difícil de ser entendido por um leigo?, recorda Liberbaum. A companhia é uma afiliada do maior cartório virtual do mundo, a americana VeriSign, que em junho comprou 10% da companhia nacional e deve injetar US$ 10 milhões na parceria brasileira. Nos últimos anos, a VeriSign conquistou a liderança num mercado de cifras promissoras. Com a sua firma, foram emitidos mais de 90 mil certificados nos primeiro quatro meses deste ano, um crescimento de 112% sobre igual período do ano passado. As 37 afiliadas no planeta serão 44 até o final do ano e devem faturar US$ 1 bilhão, num mercado estimado em US$ 5 bilhões.

A potencialidade fez crescer o olho do governo federal, que editou
a Medida Provisória nº 2.200 para conseguir abocanhar o seu naco do mercado. Com a nova regulamentação, os processos de certificação terão de incluir também um passo governamental, o
que não foi muito bem recebido pelas certificadoras. ?A medida
pode dificultar a interação de empresas brasileiras em transações internacionais pela rede?, diz Liberbaum. ?Além do mais, ela deve aumentar a burocracia da certificação.? Com tantas oportunidades, o confronto entre os interesses públicos e privados deverá ser definido ao medirem sua força de pressão entre os congressistas
no segundo semestre deste ano.