O Ibovespa cede no início deste último pregão da semana e de fevereiro, mas defende a marca dos 124 mil pontos do fechamento da sessão anterior. Assim, por ora, indica que encerrará o mês com desvalorização de 1,16%. Com o feriado do carnaval se aproximando e a agenda esvaziada de indicadores no Brasil nesta sexta-feira, 28, a liquidez tende a diminuir e não se pode descartar volatilidade.

O único dado de peso da parca agenda de indicadores desta sexta-feira, o PCE norte-americano veio dentro do esperado e não provocou grandes reações nos ativos aqui e no exterior.

O indicador de inflação predileto do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em suas tomadas de decisões sobre juros mostrou um resultado dentro do esperado em janeiro ante dezembro (0,3%) e na comparação com janeiro de 2024 (2,5%). Em Nova York, os índices de ações futuros mantiveram-se em alta leve bem como os rendimentos dos Treasuries.

No Brasil, o Ibovespa tem viés de baixa, o dólar sobe moderadamente assim como os juros futuros. Investidores estão à espera do feriado de carnaval, que deixará os mercados brasileiros fechado até a manhã da quarta-feira que vem.

“É muito tempo em que ficará fechado, a tendência é o investidor buscar um pouco de proteção”, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Aqui, ações ligadas a commodities são destaque de baixa. O petróleo cai mais de 1,00% e o minério de ferro fechou em baixa de 0,74% em Dalian, na China. Nesta manhã, as ações da estatal cedem entre 1,04% (PN) e 0,18% (ON). Vale cai 0,67%.

A desvalorização dos papéis da Petrobras ainda reflete o prejuízo bilionário da empresa no quarto trimestre do ano passado, informado na quarta-feira à noite. “Não agradou e pode ainda afetar o fiscal, dada a expectativa de menor distribuição de dividendos aos acionistas”, acrescenta Laatus.

Ontem, a Petrobras perdeu cerca de R$ 27 bilhões em valor de mercado em meio ao balanço trimestral e as ações fecharam em baixa (ON -5,56%, PN -3,53%). Já o Ibovespa fechou em alta de 0,02%, aos 124.798,96 pontos.

“O balanço da Petrobras mais assustou do que qualquer outra coisa. Vemos um prejuízo liquido que efetivamente não aconteceu. O lucro liquido ajustado estaria acima do consenso de mercado. A meu ver, o que mais pesou foi a questão do Ebitda com maior distorção”, diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Além disso o tarifaço de Donald Trump continua no foco, bem como eventuais medidas do governo brasileiro para conter a escalada da inflação.

Fica ainda no foco balanços como de Fleury e Localiza, além do acordo entre a Eletrobras e a União. As ações da Eletrobras avançam até 5,00%.

Hoje, a Eletrobras informou que concluiu junto à União as discussões referentes à limitação do poder de voto de acionistas a 10%, que virou objeto de ação judicial em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). A limitação foi mantida, mas a União poderá indicar três dos 10 integrantes do conselho de administração da companhia e um dos cinco representantes do conselho fiscal da empresa, respeitados os critérios de elegibilidade do estatuto da Eletrobras.

Na parte econômica e política ficam no centro das atenções a busca do governo federal de um aceno do agronegócio no enfrentamento da inflação de alimentos e expectativas em relação ao andamento da reforma ministerial após o carnaval.

Às 10h52, Ibovespa caía 0,03%, aos 124.755 pontos, ante alta de 0,09%, na máxima aos 124.900,72 pontos, depois de cair 0,40% na mínima em 124.296,05 pontos, vindo de abertura em 124.797,52 pontos (variação zero).