18/01/2006 - 8:00
Enquanto caminha pela megaloja da C&C ? Casa e Construção situada no Morumbi (região nobre da cidade de São Paulo), Jorge Gonçalves Filho, diretor-geral da rede C&C, não tira o olho de um espaço de 30 metros quadrados. É nesse córner ocupado por geladeiras, fogões, liqüidificadores, home-theatres, DVDs e aparelhos de som que está uma das ?pernas? da estratégia desenhada pelo executivo para consolidar a liderança da C&C no varejo de construção civil, um setor que movimenta R$ 33 bilhões por ano. Os eletroeletrônicos começaram a dividir espaço com sacos de cimento, azulejos e latas de tinta em meados de 2005. Com eles, Gonçalves Filho espera fechar o ciclo de diversificação, que inclui ainda utilidades domésticas (louças, toalhas e talheres), artigos para jardinagem e para piscina. Hoje, esses itens já respondem por cerca de 25% das vendas da C&C (estimadas pelo mercado em R$ 1 bilhão), patamar próximo do considerado ideal pelo executivo.
Gonçalves Filho apressa-se em dizer que não pretende concorrer com as redes de eletrônicos. ?Queremos apenas dar mais opções aos clientes ?, conta. A cada mês, um exército de 1,2 milhão de pessoas passam pelas 35 lojas espalhadas no eixo Rio-São Paulo. A última delas foi inaugurada em São Vicente (SP) novembro último, com investimentos de R$ 15 milhões. Pelo menos mais duas devem ser abertas neste ano. O mercado se mostra dividido em relação à estratégia da C&C, que cada vez mais quer reforçar a sua porção ?casa?. Enquanto a concorrência ?torce o nariz? os consultores aplaudem. ?São produtos complementares que ajudam a ampliar a margem de ganho?, opina Claudio Felisoni de Angelo, coordenador-geral do Pró-Varejo da USP. De Angelo acrescenta que, dessa forma, a C&C quer escapar da mesmice que vigora em um setor pulverizado e marcado por um elevado grau de informalidade.
A guinada da C&C para o modelo home-center foi precedida de inúmeras pesquisas que ajudaram, inclusive, a derrubar alguns mitos. Um deles é sobre a presença feminina, que já responde por mais da metade dos clientes desse segmento. Foi a senha para que a C&C bolasse alguns mimos sob medida para esse público. A lista inclui a ?Sexta-feira da Mulher?, que garante desconto às consumidoras neste dia. Criou ainda cursos de decoração e paisagismo, colocou um exército de arquitetos para ajudá-las no planejamento da obra e passou a trabalhar com listas de casamento. Além disso, de olho no crescente número de lares chefiados por mulheres, a C&C lançou um seguro residencial que dá conta de problemas domésticos (limpeza de caixa d’água e troca de disjuntor, por exemplo), sem contar as coberturas tradicionais para o imóvel.
R$ 1 bilhão é o faturamento estimado para este ano. Os eletroeletrônicos já respondem por 25% do valor