O gosto pelo risco foi um traço marcante da trajetória empresarial dos engenheiros Carlos Casagrande e Igor Salaru. Alheios ao ceticismo de amigos e do mercado, eles decidiram em 1974 montar a Icatel, uma pequena fábrica de telefones públicos, os famosos orelhões. Na época, a telefonia era um negócio restrito a grandes corporações como Siemens, Alcatel e Ericsson. Não se arrependeram. Hoje, a Icatel exibe receita de R$ 100 milhões e exporta para 20 países. Passados 30 anos do gesto, tido como tresloucado, a dupla Casagrande-Salaru apronta mais uma. Vai produzir aparelhos celulares, entrando em um segmento que movimenta US$ 1,5 bilhão. Batizada de Venko, a empresa nasce com a ambição de ser a número um em telefones populares; com preço abaixo de R$ 200 e desprovido de sofisticações como visor colorido e câmera fotográfica. ?Vamos fabricar o celular do povão?, conta David Ostrowiak, contratado para gerir o negócio. Para ingressar nessa área os empresários foram buscar parceiros no exterior. A tecnologia é da britânica Sendô e 40% das ações pertencem a investidores europeus, cujos nomes mantêm em segredo. A Venko já assinou contrato para fornecer para a TIM e a Claro. A expectativa é vender um milhão de aparelhos no primeiro ano, embolsando US$ 100 milhões.

Rusty O?Bryan, analista da International Data Corporation, diz que a Venko está no caminho certo. Segundo ele, para ampliar a fatia de usuários do sistema (hoje em 46,37 milhões) as operadoras terão de mirar nas classes C e D. ?São consumidores que não se preocupam com grife e querem aparelhos baratos e fáceis de usar?, avalia O?Bryan. Em 2003, 65% dos 13 milhões de celulares vendidos tinham preço abaixo de R$ 400.