02/11/2001 - 8:00
Uma nova geração de telefones celulares está prestes a desembarcar no mercado brasileiro. São aparelhos turbinados, com acesso à Internet numa velocidade de até 144 Kbps ? duas vezes maior do que a maioria dos computadores residenciais e dez vezes superior aos celulares que estão em uso no País. A rede é considerada o primeiro passo rumo à Terceira Geração de celulares, que promete transmitir voz e imagens em tempo real. A turma intermediária, batizada de 2,5G, estréia no Brasil em dezembro pelas mãos da Telesp Celular. ?Esse lançamento marca uma nova fase da telefonia móvel?, diz o presidente da operadora, Carlos Vasconcelos. Os fabricantes LG e Ericsson estão com os aparelhos saídos do forno, esperando apenas o sinal verde da Telesp. Motorola e Nokia prometem chegar em janeiro. Os preços serão bastante parecidos com os atuais, variando de R$ 300 a R$ 1,3 mil, dependendo do design e da quantidade de recursos. Uma das principais novidades da nova safra é o sistema ?always on?: ao contrário do WAP ? que exige uma série de cliques e espera pela conexão ? a nova geração de celulares estará sempre ligada à Internet.
A rede 2,5G não vai turbinar apenas telefones celulares. Com um cartão, os usuários terão Internet em alta velocidade também em PDAs e notebooks. Os produtos já estão saindo de fábrica com um compartimento para esses cartões, que se conectam à rede telefônica móvel. Com essa velocidade, será possível baixar uma música de 3 Mb em 2,5 minutos. Mas os clientes terão que se acostumar a uma nova forma de cobrança. Não se fala mais em minutos conectados, e sim em serviços utilizados. No Japão, onde desde o mês passado funciona a rede de Terceira Geração da NTT DoCoMo, o download de uma canção de 3 Mb chega a custar US$ 90. No Brasil, a Telesp Celular prefere não antecipar preços, mas garante que serão compatíveis com a renda de clientes das classes A e B e do mercado corporativo ? este sim, seu principal alvo. ?A experiência em outros países mostra que a cobrança por pacote de informações sai mais em conta?, diz Edson Bocchini, gerente de produtos da Sony Ericsson. Os clientes empresariais poderão acessar a sua rede interna de computadores, a intranet, fazer encomendas e acompanhar a entrega de um produto ? tudo isso com aparelhos de telas mais generosas que as atuais. A resolução de imagens melhorou. Os primeiros celulares ainda estão em telas com tons de cinza, mas a partir de janeiro chegam os de imagens coloridas. A rede 2,5G deixa o WAP com cara de velharia e abre um mundo de oportunidades para os provedores de conteúdo e serviços.
Demanda. Resta saber se existe mercado para tanta novidade. A BCP, concorrente da Telesp Celular, desconfia do potencial desse mercado: somente um público de 100 mil usuários justificaria investimentos pesados na rede. ?Hoje é colocar dinheiro num cavalo que não se sabe se vai disparar quando abrir a porteira?, diz Carlos Roberto Boschetti, vice-presidente de operações da BCP. No caso da Telesp Celular, a operadora investiu R$ 38 milhões para chegar oferecer os novos serviços ? quantia considerada pequena tendo em vista os R$ 800 milhões disponíveis para gastos este ano. ?Esperamos cerca de 30 mil clientes nos primeiros dois meses. O que vier além é lucro?, diz Vasconcelos. Há um ano a Coréia apostou nos celulares turbinados e hoje tem 1,2 milhão de usuários. EUA e Europa também já adotaram a nova rede. Um estudo divulgado pela consultoria Allied Business Intelligence prevê que os mercados de 2,5G e 3G vão gerar uma receita de US$ 300 bilhões em 2006. Ainda assim, o ceticismo com relação ao Brasil é forte. ?Além da falta de renda, há também uma questão cultural. Os europeus utilizam o celular para tudo. Aqui é só voz?, diz Luís Minoru, analista do Yankee Group. É esperar para ver.
Colaborou Duda Teixeira