22/05/2014 - 11:50
Durante os últimos anos, foram várias as vezes em que agentes da economia nacional culparam os eventos externos para justificar o crescimento quase insignificante do PIB brasileiro. Neste momento, porém, os maiores problemas da economia brasileira estão dentro e não fora de casa. A constatação é do economista Pérsio Arida, membro da diretoria do BTG Pactual, que falou em um evento da Bloomberg, nesta quinta-feira 22, em São Paulo. “O cenário econômico mundial é favorável ao Brasil, não é hora de colocar nossos problemas lá fora, mas resolvê-los internamente”, diz.
Segundo Arida, a economia americana está em recuperação e com taxas de juros baixas. “É difícil imaginar um melhor cenário para o Brasil com os Estados Unidos reagindo tão positivamente”. Outra constatação do economista é de que a China, por mais que venha reduzindo seu ritmo de crescimento, possui uma economia estável e segura. “Agora, o mercado chinês está cheio de oportunidades para o Brasil.”
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Carga tributária elevada, salários altos e custo de capital, são alguns dos problemas citados por Arida que dificultam a competitividade brasileira. Sobre o rebaixamento da nota de risco do Brasil, pela Standard & Poors, o economista disse que o fato não é motivo suficiente para diminuir a confiança do investidor estrangeiro pelo país. “As agências são sempre reativas, elas fazem rebaixamento quando de fato a situação já é de rebaixamento. Portanto, me preocupam problemas como taxas baixas de crescimento e despesas do governo, do que a queda de classificação.”
Questionado sobre a contabilidade criativa do governo, Arida afirmou que as sucessivas alterações na metodologia do superávit tiraram do indicador público, a proximidade com os índices privados. “O superávit atual não se traduz na verdadeira realidade da economia brasileira. Ainda existem muitos itens a serem cobertos e igualados. “Se o valor de empresas como Petrobras e Eletrobrás cai, por exemplo, isso não é contabilizado em nenhum lugar.” Por fim, Arida afirmou que, entre outras coisas, os principais motivos de pessimismo no Brasil estão atrelados não com a contabilidade criativa, mas com mudanças na regulação e falta de transparência em algumas políticas.
