Soldados faziam sinais de vitória na noite desta sexta-feira dirigidos a milhares de manifestantes, que enfrentaram o toque de recolher imposto na capital egípcia e que, algumas horas antes, gritavam ainda a plenos pulmões: “o povo quer a queda do regime”.

Mais de duas horas após a imposição do toque de recolher pelo presidente egípcio Hosni Mubarak, caminhões militares circulavam no centro da cidade do Cairo, perto da praça da Ópera, e militares acenavam para a população, recebendo aplausos.

Alguns populares chegaram até a subir nos tanques e policiais apertavam as mãos de manifestantes, constatou a AFP.

“Não sabemos ainda de que lado está o exército (…) Mas é verdade que respeitamos os militares”, acrescentou um outro jovem que participava de passeata com milhares de outros no bairro Dokki, duas horas após a imposição do toque de recolher às 18H (16H00 GMT).

Os prédios e locais públicos estavam pichados com frases contra o governo.

O fim das orações de sexta-feira soou como o início de uma maratona contra o poder, com milhares de pessoas tomando de assalto as ruas, em meio ao aplausos dos passantes, para exigir a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

“Liberdade!”, gritavam manifestantes, sob o olhar espantado de policiais de escudo e capacete perto da célebre mesquita al-Azhar, no bairro histórico de Khan al-Khalili.

Um pouco antes, na mesma praça da Ópera, dezenas de manifestantes retornarvam sangrando do local, depois de choques com a polícia. Num jovem, com o torso nu, podia-se ver os sinais do impacto das balas de borracha.

A sede do Partido Nacional Democrata (PND no poder) no centro do Cairo foi incendiada, segundo um fotógrafo da AFP.

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