24/06/2026 - 8:41
A Cencosud anunciou nesta quarta-feira, 24, que fechou acordo para comprar 100% das operações da St. Marche, uma das principais redes de supermercados premium (voltado à alta renda) do estado de São Paulo. O valor do negócio não foi divulgado.
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A Cencosud já é dona no Brasil das redes Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa, Bretas, Mercantil Rodrigues, Perini e Spid. Fundada no Chile, a companhia tem operações também na Argentina, Peru, Colômbia e Estados Unidos.
A rede St. Marche, um rival de menor porte da bandeira Pão de Açúcar, do grupo GPA, possui 32 lojas no estado de São Paulo e cidades próximas, incluindo o icônico Emporio Santa María, no bairro dos Jardins, e conta com um centro de distribuição próprio de 7.500 m². O faturamento nos últimos doze meses encerrados em março foi de R$ 1,078 bilhão.
Em comunicado, a Cencosud informou que a compra será financiada por meio da ‘realocação de capital proveniente de desinvestimentos recentes no Brasil”.
A conclusão da transação está sujeita às condições usuais de fechamento, incluindo a finalização do processo de recuperação judicial em curso por parte da St. Marche e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Cencosud aparece na 11º colocação no ranking das maiores redes de supermercados do país de 2025, com um faturamento anual de cerca de R$ 10 bilhões.
“A transação representa um novo avanço na estratégia da Cencosud no Brasil, fortalecendo sua presença em formatos de maior valor agregado e diferenciação no principal mercado consumidor da região”, afirmou a companhia, em comunicado.
Entenda a crise do St. Marche
Para fazer frente a uma fase de “franco” crescimento do varejo no período da pandemia, a rede St. Marche investiu cerca de R$ 120 milhões para acelerar a abertura de novas lojas. O número de unidades saltou de 21 para 33, entre meados de 2021 e agosto de 2023.
Um dos caminhos para financiar essa expansão era a abertura de capital na Bolsa, processo iniciado em 2021, mas interrompido pela mudança do cenário da economia, com a elevação dos juros.
Sem conseguir levantar os recursos por meio da oferta de ações (IPO, na sigla em inglês), a empresa recorreu a linhas de financiamento com bancos e à emissão de dívida para investidores. Com o avanço na taxa de juros, as obrigações contratadas ficaram mais pesadas e impactaram a saúde financeira do grupo.
Para piorar, o aumento dos custos financeiros se deu num período em que as novas lojas ainda não haviam alcançado a maturidade.
No começo de 2025, a rede de supermercados entrou com pedido de tutela judicial na 1.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para renegociar dívidas que somavam R$ 639 milhões.
