22/01/2026 - 8:00
Ainda que com uma expansão substancial no número de unidades nos últimos anos, a CVC quer manter uma mescla entre o físico e o digital na sua operação – considerando que a maioria das pessoas que vão a uma das lojas da empresa começou sua jornada de compra de forma online.
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Ao Dinheiro Entrevista, o novo CEO da CVC, Fabio Mader, conta que a empresa entende o digital e o físico ‘como uma coisa só’. O executivo está no seu terceiro ciclo na CVC, somando um tempo de casa que se aproxima dos 15 anos. Antes disso, já atuou como diretor na Gol, e também na WebJet e Hotels & Resorts (ambos negócios também de propriedade da família Paulus).
“Atualmente, 55% da nossa venda nas lojas já não é mais o cliente walk-in, é um cliente que vem através do digital, enquanto 45% é aquele cliente que entra pela porta no shopping center, na loja da rua”, relata.
No acumulado dos últimos dois anos, a companhia abriu pouco mais de 400 lojas – sendo cerca de 200 tanto em 2024 quanto em 2025.
Fabio Mader, que assumiu a liderança da empresa no fim da semana passada, deve focar em torná-las mais rentáveis, após um processo de turnaround feito pelo seu antecessor, Fabio Godinho.
“Em 2026, vamos abrir lojas que enxergamos oportunidades e lojas que façam sentido. Não teremos o mesmo crescimento que nós tivemos nos últimos dois anos, porque agora o foco é rentabilizar essas 400 novas lojas.”
Segundo o executivo, a abertura de tantas unidades só foi possível por conta do modelo phygital – fusão entre físico (physical) e digital – adotado pela empresa. Anteriormente, unidades só eram abertas em cidades com 150 mil habitantes ou mais. Por conta da jornada de compra mista, a CVC passou a abrir unidades em cidades com até 20 mil habitantes.
“Por conta do phygital, essa loja menor atende todo o raio das cidades ao redor dela”, explica Mader.
Em termos de distribuição geográfica, a receita segue sendo fortemente concentrada no Sudeste – mais especificamente no estado de São Paulo. Cerca de metade do faturamento da empresa vem dos negócios em solo paulista, enquanto os demais 50% ficam pulverizados em todo o Brasil.
Foco em desalavancagem
Apesar da nova fase da CVC, a companhia deve seguir com a desalavancagem sendo uma das prioridades. Em linhas gerais, a gestão deve priorizar uma redução do custo da dívida – atualmente em CDI+4,5%, um patamar relativamente alto para uma companhia que quer aumentar sua geração de caixa na esteira de um balanço mais limpo nos últimos trimestres.
Segundo Mader, após o ‘back to basics’ promovido por Godinho, o momento é de ampliar a rentabilidade da companhia.
Enquanto o antigo CEO resgatou a cultura de vendas dentro da empresa, o novo deve focar na ampliação de margens e no aumento de eficiência. O seu perfil mais analítico, segundo Mader, era justamente o que o Conselho de Administração vinha demandando.
“É um momento de continuidade. Esse projeto começou há dois anos e sete meses, em junho de 2023, com dois pilares centrais: Back to Basic e Foundation. Agora adicionamos um terceiro pilar, que é crescimento e inovação, com o cliente no centro. Isso envolve uma mudança cultural por meio das pessoas e da digitalização”, diz.
“Vamos falar muito sobre transformação digital da companhia, melhorando a experiência do cliente no site, no aplicativo, nas lojas ou nas agências de viagem parceiras. Também há foco em rentabilidade, especialmente nos semicentros das nossas 16 regionais no Brasil e na Argentina, além da desalavancagem financeira, que é um ponto relevante deste mandato”, completa.
Atualmente a alavancagem da companhia é de 1,8 vez o seu Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). Considerando somente as debêntures, a alavancagem fica em 0,5 vez o Ebitda.
Segundo Mader, um dos pilares centrais deve ser a agenda de aumento de eficiência da empresa. A tese é de que a digitalização deve ser um catalisador nesse sentido.
Outro pilar deve ser a gestão do passivo em si.
“A sinalização de queda da Selic também ajuda nesse processo, e acompanhamos isso com bastante atenção. Existe ainda a possibilidade de negociar melhor a dívida atual, mas isso não é prioridade neste momento. A prioridade é a operação da companhia.”
Família Paulus, que fundou a CVC, aumentou fatia na empresa
A família Paulus, fundador da empresa, aumentou sua fatia de participação na companhia com uma nova compra feita através do GJP Fundo de Investimento em Ações, veículo de investimentos da Família Paulus. O veículo leva as iniciais do fundador da companhia, Guilherme de jesus Paulus.
Com a nova compra, de 107 milhões de ações da CVC, a família chegou a 20% do total de ações ordinárias na empresa.
A notificação do fundo à CVC sobre aumento da fatia societária ocorre um dia depois de a ação ter derretido mais de 20% no pregão de sexta-feira, 16.
