A Enel quer propor em carta ao governo brasileiro um plano de corte e replantio de árvores na região metropolitana de São Paulo para diminuir a ocorrência de apagões por problemas com cabos da rede elétrica aérea, disse nesta segunda-feira, 23, o CEO global da companhia, Flavio Cattaneo.

Em coletiva de imprensa, o CEO afirmou que, nesse plano, seriam criados “corredores de energia elétrica” que evitariam apagões como os que têm acontecido em fortes ventanias na região, que levam à queda de árvores e danificam os cabos aéreos da distribuidora.

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“Ou instalamos rede subterrânea, o que significa investir nisso, ou cortamos as árvores, o que, obviamente, tem implicações ambientais. Esta é a nossa proposta, esta é a nossa sugestão, tem uma carta que queremos enviar ao presidente Lula e ao ministro, em que direi: vejam, podemos cortar as árvores e plantar, em vez disso, árvores menores”, explicou Cattaneo.

Cattaneo já havia comentado mais cedo nesta segunda-feira sobre os problemas da Enel São Paulo, para a qual se discute a possibilidade de caducidade da concessão após recorrentes problemas com fornecimento de energia diante de eventos climáticos extremos. Segundo ele, o fato de a rede elétrica na região ser aérea torna praticamente impossível evitar apagões durante ventanias, algo que, em suas palavras, apenas “Jesus Cristo” poderia resolver.

“Porque, na nossa opinião, não se trata de um problema da Enel. Nesse caso, se eles continuarem com esse tipo de árvores, só uma pessoa será capaz de lidar com isso, e não é um ser humano; é Jesus Cristo, porque não é possível evitar o apagão de outra forma”, disse.

O executivo voltou a reforçar ainda que, na visão da companhia, a Enel tem cumprido com os requisitos que constam no contrato de distribuição de energia em São Paulo, de modo que não haveria base legal para a concessão ser encerrada antecipadamente.

“Então, essencialmente e legalmente, acho que estamos certos. Não temos medo algum. Agora, se as decisões não forem tomadas com base no mérito, mas sim por motivações políticas, bem, o que posso dizer?”.

A Enel tem defendido que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não pode incluir em sua análise sobre eventual caducidade da concessão o apagão de dezembro do ano passado, quando a atuação da empresa foi novamente classificada como insatisfatória pela fiscalização do órgão regulador. Segundo pareceres contratados pela Enel, isso seria ilegal e inconstitucional.

O CEO global da Enel disse ainda acreditar que o Brasil não irá tomar uma decisão “sem racionalidade” e que confia em uma solução que permitirá a continuidade dos investimentos da elétrica no país.

“Mas o Brasil não vai insistir em algo que não tenha racionalidade, nenhuma lógica. Seria um péssimo exemplo, depois de ter assinado o Mercosul”, disse o executivo, citando o recente acordo firmado entre o bloco sul-americano e a União Europeia.

Cattaneo ressaltou ainda que a Enel não está interessada em vender a distribuidora paulista, uma especulação que surgiu no mercado diante da possibilidade de perda do contrato pela companhia italiana.