23/01/2026 - 18:29
O recém lançado programa Move Brasil deve destravar uma parte significativa dos negócios no setor de caminhões e veículos pesados, segundo o CEO da Scania para a América Latina, Christopher Podgorski. Isso, considerando que o que estava emperrando algumas vendas é a taxa básica de juros, que segue no maior patamar em duas décadas.
+Nubank vai falir? Especialistas explicam por que boatos sobre roxinho não se sustentam
O executivo relata que o programa veio ‘em excelente hora’, e deve antecipar negócios que viriam somente no segundo semestre, após sucessivos cortes da Selic por parte do Banco Central (BC).
Apesar do crescimento econômico dos últimos meses e de outras variáveis em situação favorável, os juros faziam com que o custo financeiro se tornasse excessivamente elevado e ‘a conta não fechasse’ para frotistas, transportadoras e outros clientes da Scania.
Podgorski relata que o custo financeiro era da ordem dos 20% – ou seja, alguém que financiasse cinco caminhões em 60 meses pagaria o preço de seis caminhões, mas obtendo receita com somente cinco.
“Entendemos que é um instrumento que pode vir a destravar um pouco os negócios de caminhões, sobretudo os pesados. Neste ano que se findou agora, houve uma queda de 11% no segmento de veículos comerciais, caminhões, mas especificamente no extra pesado a queda foi superior a 20%”, diz o CEO da Scania para a América Latina.
A medida deve, segundo o executivo, evitar cortes de empregos ao ‘ajudar a manter os postos de trabalho e toda a cadeia de valor de uma maneira saudável’.
Entenda o programa Move Brasil, que deve impulsionar o setor da Scania
O programa citado pelo executivo é o Move Brasil, lançado oficialmente no dia 8 de janeiro pelo Governo Federal.
A política pública cria linhas de crédito voltadas à aquisição de caminhões que cumpram exigências de sustentabilidade e de produção nacional. Os financiamentos são direcionados a caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas do transporte rodoviário de cargas, com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado.
Para viabilizar a medida, o governo federal destinou R$ 10 bilhões em crédito, somando recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição ficará responsável pela operação das linhas do programa.
Dentro desse montante, R$ 1 bilhão foi separado para atender exclusivamente profissionais autônomos e cooperativas.
A base legal do programa foi publicada em dezembro, por meio de uma Medida Provisória que autoriza a destinação de recursos para a renovação da frota. Em seguida, uma portaria do MDIC definiu critérios relacionados à produção nacional, sustentabilidade e reciclagem.
Já o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou parâmetros financeiros como juros, prazos e períodos de carência, prevendo condições diferenciadas para quem destinar um veículo antigo ao desmonte.
De acordo com as normas do CMN, cada participante poderá contratar financiamentos de até R$ 50 milhões.
O prazo máximo para pagamento é de cinco anos, com carência de até seis meses. As taxas anuais variam entre 13% e 14%, conforme o perfil de risco do tomador, já incluindo custos financeiros e spread bancário. As operações podem contar com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que assegura até 80% do valor financiado.
A Medida Provisória estabelece que os recursos para compra de caminhões de fabricação recente só poderão ser usados em veículos produzidos no Brasil.
No caso dos seminovos, será necessário comprovar conteúdo nacional, conforme regras definidas pelo MDIC. A norma considera nessa categoria os veículos fabricados a partir de 2012.
