Os chamados drinks prontos para beber, os Ready to Drink, estão mexendo com o mercado de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo. De acordo com dados da Euromonitor, esse mercado  cresceu 4,5% entre 2023 e 2024. Já pesquisa da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil em 2025 caiu 5%. 

Os novos hábitos de consumo estão fazendo com que marcas consolidadas no mercado abram os olhos para esse movimento, com produtos inovadores de olho na geração Z. 

+Efeito Carnaval: Xeque Mate aposta na folia para crescer com novas bebidas

“Esse mercado explode por combinar conveniência com experiências premium em um pacote pronto para consumo. Fatores chave incluem o estilo de vida urbano acelerado com as pessoas querendo bebidas prontas, sem precisar misturar ou abrir garrafas. Há também a busca por moderação: RTDs oferecem porções controladas, com sabores inovadores como coquetéis prontos ou cervejas aromatizadas”, afirma a professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM e sócia da Markka Consultoria, Karine Karam.

Ela destaca que fados da Nielsen apontam para um crescimento de 30 a 50% ao ano deste mercado no Brasil, impulsionado por millennials e Gen Z, que priorizam novidades e apelos de sustentabilidade.

É preciso ter em conta, contudo, que esse mercado ainda representa uma fração do cervejeiro. Der acordos com dados da Diageo, os drinks prontos para tomar representam somente 1,8% do mercado alcoólico brasileiro. Em outros países eles já superam os 10% do consumo de álcool. Segundo a Euromonitor, o mercado de Ready to Drink produziu 178,4 milhões de litros no Brasil em 2024 contra 14,7 bilhões de litros de cerveja.   

A categoria em dados 

  • Segundo dados da Euromonitor a produção de bebidas prontas para beber foi de 178,9 milhões de litros no Brasil em 2024. A expectativa é que ela chegue a 228,6 milhões de litros em 2029
  • O crescimento da categoria no Brasil entre 2019 e 2024 foi de 32,4% contra 16,8% do mercado cervejeiro. Ou seja, praticamente o dobro
  • No carnaval de 2026, a venda desse tipo de bebida em bares e festas cresceu 94% contra 60% das cervejas, de acordo com a Zig. Os RTDs passaram de 12% das compras feitas por homens e 20% das feitas por mulheres para 23% das masculinas e 32% das femininas em um ano. 

‘Troca de roupa’ e busca dos jovens

Marcas tradicionais apostam em nova roupagem Foto: Divulgação

Veio de Minas Gerais, em 2015, a novidade que fez muitas companhias tradicionais do setor perderem espaço e olharem para esse mercado. A Xeque Mate apostou em uma construção de marca forte e rapidamente se tornou a queridinha dos jovens. 

Em 2025, a empresa afirma que bateu seu recorde de vendas, com cerca de 9 milhões de litros, crescimento de 26% em relação ao ano anterior. O faturamento entre dezembro de 2024 a fevereiro de 2025 superou R$ 50 milhões.

Já que boa parte desse crescimento vem da geração Z, pessoas nascidas à partir de 1997, companhias tradicionais precisam correr atrás do prejuízo para não ficarem datadas. Além dos novos produtos e sabores, as novas embalagens são também uma preocupação.

A CRS, responsável pela marca Cereser, aposta na velha cidra em garrafas long neck para deixar para trás a fama de bebida barata. A companhia, que produz cerca de 10,5 milhões de litros de sidra por ano, quer aproveitar esse novo mercado para ter maior recorrência na venda da bebida, ainda concentrada nas festas de final de ano. 

“Nosso foco é destravar os outros 11 meses do ano, transformando a sidra em uma escolha recorrente. É nessa mudança cultural que está o grande potencial de crescimento sustentável do faturamento”, diz Bruno Cardoso de Faria, diretor comercial da CRS Brands.

Já a Chandon, conhecida no mercado de espumantes, também resolveu sair da zona de conforto, apostando em uma versão pronta dos Spritz. A bebida que é uma mistura do espumante com bitter de laranja e especiarias é a jogada da tradicional marca para colocar seus produtos em outros momentos de consumo, como brunchs, encontros ao ar livre, praias, piscinas, eventos esportivos e festas sunset. 

“O spritz representa um momento, e nossa estratégia é estar presente nesses encontros de forma consistente e relevante ao longo do verão”, afirma Gabriela Pontes, Brand Manager da Chandon Brasil. Em seu segundo ano no mercado brasileiro, o produto representa 5% do volume total de vendas da Chandon. 

A presença forte nas redes sociais é outro termômetro desse mercado. Recentemente o influenciador Thiago ‘Toguro’ viralizou nas redes com os novos rótulos das bebidas da Mansão Maromba, famosas pelo meme ‘sabor energético’.

Na Ambev, que registrou queda de 4,5% nas vendas de cerveja em 2025, a Skol Beats é principal aposta no mercado RTDs. A companhia não informa, porém, números desta categoria.

Diageo repagina Smirnoff Ice 

Uma das pioneiras no mercado de drinks prontos para beber, a Smirnoff Ice chegou ao mercado nacional em 2000. Apesar de ainda ser a marca mais forte do mercado, de acordo com pesquisa da Kantar, a Diageo recolocou o produto no centro da estratégia de sua expansão nesse mercado.

No período de 18 meses foram lançados três novos sabores da bebida e em fevereiro a fábrica da companhia, na cidade de Itaitinga (CE), recebeu uma ampliação para produzir até 8 milhões de litros de Smirnoff Ice até 2027. Nesse mercado de RTDs a companhia também trabalha com Tanqueray e Johnnie Walker. 

“A categoria é a maior fonte de crescimento da Diageo atualmente e há um espaço para avançar ainda mais. Isso porque, no Brasil as bebidas prontas representam 1,8% do total de mercado de álcool, mas em outros mercados como a América do Norte os ready to drink chegam a 10,7%. O bom momento de Smirnoff Ice foi fundamental para a operação brasileira da Diageo crescer 6,5% no segundo semestre de 2025 e a previsão é que Smirnoff Ice e a categoria de RTD sigam puxando o crescimento da Diageo nos próximos anos”, afirma Guilherme Martins, VP de Marketing e Inovação da Diageo.