29/03/2026 - 11:00
Os chamados drinks prontos para beber, os Ready to Drink, estão mexendo com o mercado de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo. De acordo com dados da Euromonitor, esse mercado cresceu 4,5% entre 2023 e 2024. Já pesquisa da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil em 2025 caiu 5%.
Os novos hábitos de consumo estão fazendo com que marcas consolidadas no mercado abram os olhos para esse movimento, com produtos inovadores de olho na geração Z.
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“Esse mercado explode por combinar conveniência com experiências premium em um pacote pronto para consumo. Fatores chave incluem o estilo de vida urbano acelerado com as pessoas querendo bebidas prontas, sem precisar misturar ou abrir garrafas. Há também a busca por moderação: RTDs oferecem porções controladas, com sabores inovadores como coquetéis prontos ou cervejas aromatizadas”, afirma a professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM e sócia da Markka Consultoria, Karine Karam.
Ela destaca que fados da Nielsen apontam para um crescimento de 30 a 50% ao ano deste mercado no Brasil, impulsionado por millennials e Gen Z, que priorizam novidades e apelos de sustentabilidade.
É preciso ter em conta, contudo, que esse mercado ainda representa uma fração do cervejeiro. Der acordos com dados da Diageo, os drinks prontos para tomar representam somente 1,8% do mercado alcoólico brasileiro. Em outros países eles já superam os 10% do consumo de álcool. Segundo a Euromonitor, o mercado de Ready to Drink produziu 178,4 milhões de litros no Brasil em 2024 contra 14,7 bilhões de litros de cerveja.
A categoria em dados
- Segundo dados da Euromonitor a produção de bebidas prontas para beber foi de 178,9 milhões de litros no Brasil em 2024. A expectativa é que ela chegue a 228,6 milhões de litros em 2029
- O crescimento da categoria no Brasil entre 2019 e 2024 foi de 32,4% contra 16,8% do mercado cervejeiro. Ou seja, praticamente o dobro
- No carnaval de 2026, a venda desse tipo de bebida em bares e festas cresceu 94% contra 60% das cervejas, de acordo com a Zig. Os RTDs passaram de 12% das compras feitas por homens e 20% das feitas por mulheres para 23% das masculinas e 32% das femininas em um ano.
‘Troca de roupa’ e busca dos jovens

Veio de Minas Gerais, em 2015, a novidade que fez muitas companhias tradicionais do setor perderem espaço e olharem para esse mercado. A Xeque Mate apostou em uma construção de marca forte e rapidamente se tornou a queridinha dos jovens.
Em 2025, a empresa afirma que bateu seu recorde de vendas, com cerca de 9 milhões de litros, crescimento de 26% em relação ao ano anterior. O faturamento entre dezembro de 2024 a fevereiro de 2025 superou R$ 50 milhões.
Já que boa parte desse crescimento vem da geração Z, pessoas nascidas à partir de 1997, companhias tradicionais precisam correr atrás do prejuízo para não ficarem datadas. Além dos novos produtos e sabores, as novas embalagens são também uma preocupação.
A CRS, responsável pela marca Cereser e líder na produção de sidras, espera que com o lançamento das long necks possa ter um incremento no mercado de sidra, que tem uma produção anual estimada em 18 milhões de litros da bebida, e quer aproveitar esse novo mercado para ter maior recorrência na venda, ainda concentrada nas festas de final de ano.
“Nosso foco é destravar os outros 11 meses do ano, transformando a sidra em uma escolha recorrente. É nessa mudança cultural que está o grande potencial de crescimento sustentável do faturamento”, diz Bruno Cardoso de Faria, diretor comercial da CRS Brands.
Já a Chandon, conhecida no mercado de espumantes, também resolveu sair da zona de conforto, apostando em uma versão pronta dos Spritz. A bebida que é uma mistura do espumante com bitter de laranja e especiarias é a jogada da tradicional marca para colocar seus produtos em outros momentos de consumo, como brunchs, encontros ao ar livre, praias, piscinas, eventos esportivos e festas sunset.
“O spritz representa um momento, e nossa estratégia é estar presente nesses encontros de forma consistente e relevante ao longo do verão”, afirma Gabriela Pontes, Brand Manager da Chandon Brasil. Em seu segundo ano no mercado brasileiro, o produto representa 5% do volume total de vendas da Chandon.
A presença forte nas redes sociais é outro termômetro desse mercado. Recentemente o influenciador Thiago ‘Toguro’ viralizou nas redes com os novos rótulos das bebidas da Mansão Maromba, famosas pelo meme ‘sabor energético’.
Na Ambev, que registrou queda de 4,5% nas vendas de cerveja em 2025, a Skol Beats é principal aposta no mercado RTDs. A companhia não informa, porém, números desta categoria.
Diageo repagina Smirnoff Ice

Uma das pioneiras no mercado de drinks prontos para beber, a Smirnoff Ice chegou ao mercado nacional em 2000. Apesar de ainda ser a marca mais forte do mercado, de acordo com pesquisa da Kantar, a Diageo recolocou o produto no centro da estratégia de sua expansão nesse mercado.
No período de 18 meses foram lançados três novos sabores da bebida e em fevereiro a fábrica da companhia, na cidade de Itaitinga (CE), recebeu uma ampliação para produzir até 8 milhões de litros de Smirnoff Ice até 2027. Nesse mercado de RTDs a companhia também trabalha com Tanqueray e Johnnie Walker.
“A categoria é a maior fonte de crescimento da Diageo atualmente e há um espaço para avançar ainda mais. Isso porque, no Brasil as bebidas prontas representam 1,8% do total de mercado de álcool, mas em outros mercados como a América do Norte os ready to drink chegam a 10,7%. O bom momento de Smirnoff Ice foi fundamental para a operação brasileira da Diageo crescer 6,5% no segundo semestre de 2025 e a previsão é que Smirnoff Ice e a categoria de RTD sigam puxando o crescimento da Diageo nos próximos anos”, afirma Guilherme Martins, VP de Marketing e Inovação da Diageo.
