Como competir com prédios únicos criados pelo arquiteto catalão Gaudí, com o belíssimo porto refeito para as Olimpíadas de 1992 ou com ruínas romanas escondidas sob mansões do século XVI? Pois bem, não dá. Mesmo assim, outdoors da Samsung, Nokia, Sony Ericsson, LG e todas as grandes empresas de telefonia globais brigavam por espaço nos prédios mais altos ou rodeando a Plaza de Toros de Barcelona. Sem nenhum efeito prático sob os milhares de turistas, que têm atrativos muito mais interessantes em todos os cantos, sua missão inglória era atingir as 60 mil pessoas que estiveram semana passada na 3GSM World Congress, maior evento de telefonia do mundo. É palco para um jogo de gente grande. As 1,3 mil empresas presentes à feira tentavam dar velocidade à roda que movimenta US$ 136 bilhões ao ano. Num primeiro momento, foram bem-sucedidas: em algumas entrevistas coletivas, chegavam a haver nada menos do que 500 jornalistas de todo o mundo, numa babel de línguas, notícias, informações. Alguns governos perceberam a movimentação e, inteligentemente, tentavam atrair a atenção de investidores e empresas a seus países. Estandes da agência de desenvolvimento da Escócia e do Canadá ? e um pavilhão inteiro da China ? mostravam os benefícios de se investir, gerar empregos e lucrar com aqueles países. Enquanto suas políticas e estratégias de comunicações estão delineadas para a próxima década, a maioria dos países latino-americanos luta contra suas próprias idiossincrasias e para tentar criar uma legislação sobre o novo modelo de comunicação convergente. Sem muitas perspectivas pela frente por enquanto.

Os fabricantes, no entanto, têm pressa em dar a próxima volta no parafuso. Com três bilhões de usuários de telefonia celular no mundo em 2007, esse setor aposta na internet para continuar crescendo, principalmente nos mercados maduros. Do um bilhão de aparelhos que deverão ser vendidos em 2007, 60% serão trocas por modelos mais modernos. Entre as novas vendas, 80% contarão com serviços de correio eletrônico, apesar de seu uso ainda ser pequeno. ?A maior plataforma da telefonia será a internet?, afirmou na abertura da feira Olli-Pekka Kallasvuo, presidente da Nokia, maior fabricante mundial que faturou 41 bilhões de euros no ano passado. A aposta faz sentido. Se, por um lado, serviços de comunicação instantânea, como o MSN Messenger ou de telefonia pela internet, como o Skype, comeram parte da receita das telefônicas, por outro eles são a grande aposta de geração de lucros futuros. Elas vão desde a impressionante TV pelo celular, aberta ou com programas feitos especialmente para esse tipo de aparelho, a servicos de GPS, música, foto e tudo o que a rede permite.

Com lançamentos voltados para essa linha, as concorrentes tentam criar seus diferenciais. A Nokia anunciou, durante a feira, parceria com a grande febre da rede em 2006, o YouTube. Por meio do acordo de tecnologia, os usuários terão fácil acesso aos vídeos transmitidos pelo site, bem como ao envio de imagens feitas pelo celular. ?Se o YouTube um dia tiver publicidade, poderemos transmiti-la?, disse Torsti Tenhunen, diretor de TV móvel da Nokia. Já a operadora Vodafone anunciou parcerias com os sites MySpace e eBay, além do YouTube.

Todas as grandes marcas, evidentemente, tinham suas mais diferentes versões de lançamentos de TV para celular, bem como sofisticados aparelhos corporativos. A Samsung, dona do menor aparelho da feira desse ano, com apenas 5.9 milímetros e uma câmera de 3 megapixels, lançou modelos da linha Ultra Edition para TV móvel, para música e fotos. A Motorola foi na mesma linha, focando principalmente convergência, simplicidade e o fim dos fios. A Sony Ericsson, por sua vez, continuou na estratégia de investir nas linhas Cyber-shot e Walkman. Tanto Nokia quanto Motorola voltaram-se também para aparelhos com GPS. Feitos para o modelo de telefonia 3G, previsto para entrar em vigor no Brasil até o fim de 2007, tais aparelhos devem demorar para chegar ao País ou serão lançados sem o completo uso de suas funcionalidade.

US$ 136 bilhões
é quanto movimenta por ano a indústria mundial de telefonia móvel