24/02/2023 - 14:28
Faz um ano que “a vida é um inferno para os ucranianos”, lembrou nesta sexta-feira (24) o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, no Conselho de Segurança da organização, que acontece por conta do primeiro aniversário da ofensiva russa na Ucrânia.
Ele destacou que a guerra provocou a “maior crise de deslocados” em décadas.
Aproximadamente 17,6 milhões de pessoas, quase 40% da população ucraniana, precisam de proteção e assistência humanitária. A crise também acabou com 30% dos empregos de antes da guerra, lamentou Guterres.
Isso causou o êxodo de oito milhões de pessoas que se refugiaram na Europa, o que gerou a “maior crise de deslocamentos” em décadas. Mais 5,4 milhões de deslocamentos internos foram registrados.
O Programa de Alimentos Mundial (PAM) indicou que cerca de 40% dos ucranianos não possuem comida suficiente e mais da metade das crianças foram obrigadas a abandonar suas casas. Muito menores desacompanhados enfrentam “sérios riscos de violência, abuso e exploração”, destacou o secretário-geral.
Dez milhões de pessoas, entre elas 7,8 milhões de menores de idade, correm risco de sofrer transtorno de estresse pós-traumático.
Guterres também lamentou a destruição da “infraestrutura essencial” nas “profundezas do frio inverno” boreal, como o abastecimento de água, energia, aquecimento e mais de 3.000 colégios, atrapalhando “severamente” a educação de milhões de estudantes.
A Ucrânia não é a única, entretanto. “A Federação russa também sofre consequências letais.”
Para a “proteção dos civis” ser prioridade máxima, é necessário “acabar” com o uso de bombas em áreas povoadas e garantir o livre acesso de ajuda humanitária.
Ele também instou as partes em conflito a criarem “rapidamente uma zona de segurança e proteção nuclear na usina nuclear de Zaporizhia, para evitar um grave acidente com consequências potencialmente desastrosas”.
O chefe da organização denunciou “ameaças veladas que desencadearam riscos nucleares a níveis nunca vistos desde os dias mais sombrios da Guerra Fria”, uma referência ao presidente russo Vladimir Putin sem mencioná-lo.
Há um ano “eu disse que deveríamos dar uma chance à paz”, recordou. “Mas a paz não teve chance.”
Para ele, “as armas estão falando, mas, no final, todos nós sabemos que a diplomacia e a responsabilização são o caminho para uma paz justa e duradoura”.
O Conselho de Segurança da ONU realiza uma reunião ministerial simbólica por conta do conflito na Ucrânia, já que a Rússia é um dos cinco membros permanentes do fórum e veta qualquer decisão que seja contra os interesses de Moscou sobre a Ucrânia.
A Assembleia Geral da ONU aprovou por maioria esmagadora, na véspera, uma resolução não vinculativa que pede a retirada das tropas russas da Ucrânia.
