03/03/2023 - 20:43
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou nesta sexta-feira o que chamou de “comentários insensatos” feitos pelo ministro das Finanças de Israel, que pediu que uma localidade palestina fosse “apagada do mapa”.
“Acho que o povoado de Huwara deve ser apagado do mapa”, disse nesta semana Bezalel Smotrich, dois dias depois do assassinato a tiros de dois irmãos israelenses naquela localidade da Cisjordânia ocupada. “Acho que o Estado de Israel deve fazê-lo.”
Smotrich minimizou suas declarações em seguida, ao dizer que não pretendia “apagar o povoado de Huwara, e sim apenas agir de forma seletiva contra os terroristas”.
O conflito entre israelenses e palestinos se intensificou nos últimos meses, principalmente na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967. Türk disse ante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, que os comentários de Smotrich constituem “uma declaração insensata de incitação à violência e hostilidade”.
Aliados de Israel, os Estados Unidos também reagiram às declarações do ministro. O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, chamou as mesmas de “irresponsáveis, bastante repugnantes e asquerosas”. “Assim como condenamos a incitação à violência dos palestinos, condenamos esses comentários provocativos, que também incitam à violência.”
O Ministério das Relações Exteriores saudita classificou os mesmos como “racistas e irresponsáveis” e afirmou que eles refletem “a violência e o extremismo em massa usados pela ocupação israelense contra nossos irmãos palestinos”, segundo a agência estatal SPA. O Catar, por sua vez, denunciou o que chamou de comentários “odiosos e provocativos”, e considerou os mesmos “uma incitação grave a um crime de guerra”, segundo a agência estatal QNA. Nenhum desses dois países mantém relações diplomáticas com Israel.
Um comunicado da chancelaria francesa se somou às condenações: Os comentários são “inaceitáveis, irresponsáveis e indignos.”
O conflito já matou 65 palestinos e 13 israelenses neste ano, além de um civil ucraniano, segundo um balanço feito pela AFP com base em fontes oficiais dos dois lados.
