Os produtores brasileiros de soja estão fazendo a festa com os grãos. A previsão do governo é que eles exportem neste ano 12,8 milhões de toneladas de soja. Quase um milhão de toneladas a mais do que no ano passado e quatro vezes mais do que as 3,6 milhões de toneladas comercializadas em 1996. Cerca de 80% desse volume tem como destino a Europa. Além do aumento da área plantada, dois fatores estão contribuindo para o crescimento das vendas: a vaca louca e os transgênicos. Pelo menos três milhões de toneladas do grão serão usadas pelos europeus exclusivamente para a fabricação de ração. A aposta é que a soja, junto com o milho, serão os substitutos da proteína animal, apontada como a causadora da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), a síndrome da vaca louca, que se alastrou sobre o rebanho bovino europeu.


O peso dos transgênicos é mais difícil de ser mensurado. Mas os produtores garantem que o efeito psicológico da vaca louca e a preocupação cada vez maior dos europeus com a qualidade dos produtos que consomem têm aumentado a rejeição à soja desenvolvida pela Monsanto e favorecido o produto nacional. ?O Brasil está levando vantagem nas venda lá fora, principalmente para a União Européia, porque ainda não produz soja transgênica?, garante o megaprodutor Blairo Maggi, mais conhecido como o Rei da Soja. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) garante que a soja brasileira já está, inclusive, ganhando espaço em mercados que consomem o produto transgênico dos Estados Unidos e da Argentina. Esses dois países, junto com o Canadá, são os maiores produtores da soja modificada do mundo. Enquanto no ano passado passaram pelo porto de Roterdã 2,9 milhões de toneladas de soja brasileira, no ano passado já foram 3,5 milhões e a expectativa é de novo aumento em 2001.