Depois de reforçar o pequeno duto por onde os 33 mineiros presos há 18 dias em uma mina conseguiram se comunicar com as equipes de resgate no Chile, começa nesta segunda-feira uma operação para enviar com rapidez alimentos, água potável e outros itens para o grupo, informou Laurence Golborne, ministro da Mineração.

O ministro indicou que as equipes trabalharam durante toda a noite para reforçar as paredes do orifício de 8 centímetros de diâmetro aberto entre a superfície e o refúgio onde estão os mineiros, a 700 metros de profundidade.

“Estamos terminando o reforço do poço. Isso vai impedir que se feche”, explicou Golborne.

“Depois vamos retomar o contato com eles, e vamos iniciar o envio de (…) água com glicose e de uma série de outros elementos que permitirão mantê-los com vida”, acrescentou.

Para o transporte dos itens até o fundo da mina, serão utilizados tubos de plástico azuis. A prioridade neste momento é fazer chegar até os mineiros água, medicamentos e alimentos condensados.

No domingo, o grupo conseguiu enviar através deste duto uma mensagem informando que estão todos bem, após 17 dias presos na mina.

Segundo Golborne, operações paralelas tentarão perfurar em outros pontos “para conseguir outras vias de comunicação”.

Os 33 mineiros ficaram presos na mina San José, perto de Copiapó, cerca de 800 km a norte de Santiago. A jazida começou a ser explorada em 1889. Em 2007, foi fechada depois de um acidente com explosivos que causou a morte de um trabalhador. Um ano depois, a mina foi reativada e a empresa que a explora afirma estar “com todos os documentos em dia”.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, disse nesta segunda-feira que fortalecerá a segurança no setor de mineração no país.

“Queremos que haja um antes e um depois em matéria de segurança na mineração”, declarou Piñera no palácio La Moneda, ao anunciar a criação de um grupo de trabalho que analisará a legislação existente e proporá novas regulações.

“Queremos tirar lições úteis e férteis do que poderia ter sido uma tragédia”, afirmou o presidente.

Piñera anunciou “uma profunda revisão” da legislação mineira e de seus mecanismos de fiscalização, para criar o que definiu como uma “ética da responsabilidade” e uma “cultura do trabalho digno”, que evite novos acidentes no futuro.

As conclusões do grupo de trabalho, segundo o presidente, serão extensivas a outras áreas.

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