02/08/2022 - 3:12
A China advertiu nesta terça-feira (2) que o governo dos Estados Unidos “pagará o preço” se a presidente da Câmara de Representantes americana, Nancy Pelosi, visitar Taiwan durante sua viagem pela Ásia.
Pequim considera Taiwan parte de seu território que deve ser reunificado, inclusive pela força se necessário, e advertiu que vai encarar uma visita de Pelosi à ilha como uma provocação.
Se concretizar a visita, Pelosi seria a principal autoridade americana a visitar Taiwan desde Newt Gingrich, então presidente da Câmara de Representantes, em 1997.
“Estados Unidos carregarão a responsabilidade e pagarão o preço por minar a soberania e a segurança da China”, disse à imprensa a porta-voz da diplomacia da China, Hua Chunying.
O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou que o “abuso de confiança dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan é desprezível”, em um comentário publicado no site do ministério e que não menciona Pelosi.
A presidente da Câmara Baixa americana, de 82 anos, desembarcou nesta terça-feira na Malásia, onde se reuniu com o primeiro-ministro e o presidente da Câmara dos Deputados, na segunda etapa de sua viagem pela Ásia, depois de passar por Singapura.
O itinerário inclui escalas na Coreia do Sul e Japão, mas a perspectiva de uma visita a Taiwan continua chamando a atenção.
Em um comunicado, Pelosi afirmou: “Estamos comprometidos com um amplo leque de discussões sobre a maneira de alcançar nossos objetivos comuns e tornar segura (a região do) Indo-Pacífico”.
– Visita “muito provável” –
A Rússia expressou “solidariedade absoluta” a sua aliada China, um gesto que responde ao fato de Pequim ter se recusado a condenar a invasão russa da Ucrânia.
“Tudo o que está relacionado com esta viagem e uma possível visita a Taiwan é pura provocação. Isto agrava a situação na região e aumenta as tensões”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Vários meios de comunicação de Taiwan citaram os comentários do vice-presidente do Parlamento da ilha, Tsai Chi-chang, de que uma visita de Pelosi é “muito provável” nos próximos dias.
O jornal taiwanês Liberty Times citou fontes não identificadas que teriam afirmado que ela desembarcaria na ilha na terça-feira à noite, com uma reunião no dia seguinte com a presidente Tsai Ing-wen.
Embora a Casa Branca enfrente uma situação delicada com a viagem, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse que Pelosi “tem o direito” de visitar Taiwan.
“Não há motivo para que Pequim transforme uma possível visita, coerente com a política americana há tempos, em uma crise”, insistiu
Kirby citou relatórios do serviço de inteligência segundo os quais a China prepararia possíveis demonstrações de força militar que poderiam incluir o lançamento de mísseis no Estreito de Taiwan ou incursões de “grande escala” no espaço aéreo taiwanês.
Diante do cenário, o ministério da Defesa de Taiwan afirmou nesta terça-feira que o território está “decidido, capaz e confiante” de que conseguirá proteger a ilha das crescentes ameaças da China.
Kirby recordou que Pelosi viaja em um avião militar e que, embora Washington não tema um ataque direto, isto”aumenta os riscos de um erro de cálculo”.
Ele reiterou que a política americana não mudou a respeito de Taiwan.
Isto significa o apoio ao governo autônomo taiwanês, ao mesmo tempo que reconhece Pequim acima de Taipé e se opõe a uma declaração formal de independência por parte de Taiwan ou a uma tomada pela força por parte da China.
– “Muito perigosa” –
O governo taiwanês mantém a cautela sobre a questão.
O primeiro-ministro Su Tseng-chang não confirmou a visita ao ser questionado por jornalistas, mas agradeceu o apoio de Pelosi.
Os 23 milhões de habitantes de Taiwan vivem com o temor de uma invasão, uma situação agravada durante o governo do presidente chinês Xi Jinping.
Na semana passada, durante uma conversa por telefone com Biden, Xi alertou que Washington não deveria “brincar com o fogo” na questão de Taiwan.
Na segunda-feira, o embaixador chinês na ONU, Zhang Hun, classificou a visita de Pelosi como “muito perigosa, muito provocativa”.
Para respaldar sua mensagem, o exército chinês divulgou na segunda-feira um vídeo que mostra soldados gritando, combatentes decolando, paraquedistas saltando de um avião e mísseis atingindo vários alvos.
