A economia chinesa crescerá 10% em 2010, e suas perspectivas continuam sendo boas, mas o país está exposto às consequências dos desequilíbrios mundiais, segundo um relatório do Banco Mundial (Bird) publicado antes da cúpula do G20 que tentará evitar a ameaça de uma “guerra cambial”.

Apesar de encerrado o plano de estímulo ao consumo interno, adotado depois da crise financeira, e das novas medidas para evitar um reaquecimento do setor imobiliário, “revisamos nossa estimativa de crescimento a 10% para o conjunto do ano 2010”, contra os 9,5% anteriores, indica o informe trimestral do Bird.

O Produto Interno Bruto (PIB) subiu para 11,9% no primeiro trimestre, 10,3% no segundo e 9,6% no terceiro, números que se mantêm “surpreendentemente altos”, indicou o Banco Mundial, estimando que as perspectivas chinesas “continuam sendo boas”.

Para 2011, o Bird prevê um crescimento de 8,7% na China.

“Após o fortíssimo crescimento que observamos recentemente, a China deve poder passar sem problemas a um índice de crescimento mais fácil de sustentar em 2011 a médio prazo”, declarou o principal do relatório, Louis Kuijs.

“A esperada desaceleração do crescimento mundial e das importações provavelmente vão afetar as exportações chinesas”, advertiu por sua vez o Bird, que insiste na necessidade de reequilibrar o crescimento com uma demanda interna maior.

A China é acusada pelos Estados Unidos e pela Europa de manter o iuane artificialmente baixo para favorecer seus exportadores.

“Um fracasso no reequilíbrio do modelo de crescimento chinês é um dos maiores riscos a médio prazo, tanto para a China como para a economia mundial”, afirma o relatório, publicado uma semana antes da cúpula do G20, durante a qual os principais países ricos e emergentes do mundo tentarão evitar uma “guerra cambial”.

“A combinação de importantes excedentes nas contas correntes de alguns países, como a China, e importantes déficit de outros, como os Estados Unidos, apresenta riscos econômicos e financeiros”, que podem dar lugar a medidas “polêmicas”, destaca o Bird.

Os bancos centrais de alguns países intervieram nos últimos meses para tentar baixar a cotação de suas moedas, e os economistas temem que esta situação leve a uma onda de protecionismo.

Na China, “o excedente comercial deve continuar aumentando em 2011 e a médio prazo”, acredita o Bird.

Além disso, também devem continuar aumentando os excedentes das contas correntes, devido à renda dos investimentos chineses no exterior, acrescenta.

O G20 das Finanças, que se reunirá na Coreia do Sul no fim de outubro, instou seus membros a limitar os desequilíbrios das contas correntes. Os Estados Unidos declararam-se favoráveis a estabelecer um teto de 4% do PIB.

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