03/04/2025 - 8:14
A China pediu aos Estados Unidos nesta quinta-feira, 3, que cancelem imediatamente suas tarifas mais recentes e prometeu contramedidas para proteger seus próprios interesses, depois que o presidente Donald Trump declarou taxas abrangentes sobre todos os parceiros comerciais dos EUA em todo o mundo.
A medida dos EUA desconsidera o equilíbrio de interesses alcançado nas negociações comerciais multilaterais ao longo dos anos e o fato de que há muito tempo eles se beneficiam do comércio internacional, disse o Ministério do Comércio da China em um comunicado.
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“A China se opõe firmemente a isso e tomará contramedidas para salvaguardar seus próprios direitos e interesses”, afirmou o ministério, com as maiores economias do mundo parecendo estar prestes a se aprofundar em uma guerra comercial que pode abalar as cadeias de suprimentos globais.
Na quarta-feira, Trump anunciou que a China será atingida com uma tarifa de 34%, além dos 20% que ele impôs anteriormente no início deste ano, elevando o total das novas taxas para 54% e próximo do valor de 60% que ele havia ameaçado durante a campanha.
Os exportadores chineses, assim como os de outras economias ao redor do mundo, enfrentarão uma tarifa base de 10%, como parte da nova taxa de 34%, sobre quase todos os produtos enviados para a maior economia de consumo do mundo a partir de sábado, antes que as “tarifas recíprocas” restantes e mais altas entrem em vigor a partir de 9 de abril.
Trump também assinou decreto fechando uma brecha comercial conhecida como “de minimis”, que permitia que pacotes de baixo valor da China e de Hong Kong entrassem nos EUA com isenção de impostos.
Trump havia ordenado que o Representante de Comércio dos EUA determinasse se a China estava cumprindo seus compromissos com o acordo comercial EUA-China “Fase 1” de 2020 até 1º de abril.
O acordo exigia que a China aumentasse as compras de exportações dos EUA em US$200 bilhões em um período de dois anos, mas Pequim não conseguiu cumprir suas metas quando a pandemia da Covid-19 surgiu.
A China comprou US$154 bilhões em produtos dos EUA em 2017, antes do início da guerra comercial, segundo dados da alfândega chinesa, e esse valor subiu para US$164 bilhões no ano passado.
“Indiscutivelmente, as tarifas do presidente Trump em outros lugares causarão a maior dor de cabeça”, disse Ruby Osman, especialista em China do Tony Blair Institute for Global Change.
“As empresas chinesas têm redirecionado o comércio para lugares como o Vietnã e o México para evitar as sanções dos EUA, mas esses mercados agora estão sendo atingidos por suas próprias tarifas significativas.”
UE também promete retaliar
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que a UE está finalizando contramedidas para responder ao tarifaço de Washington. Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que reagirá com a “cabeça fria e calma” ao anúncio de Trump.
Ursula von der Leye descreveu as novas tarifas de Trump como um grande golpe para a economia global e disse que a UE já está finalizando um primeiro pacote de tarifas sobre até 26 bilhões de euros de produtos norte-americanos para meados de abril, em resposta às tarifas de aço e alumínio dos EUA que entraram em vigor em 12 de março.
“E agora estamos nos preparando para outras contramedidas para proteger nossos interesses e nossos negócios se as negociações fracassarem”, diss.