O Banco Central chinês anunciou nesta sexta-feira um aumento da taxa de lastro obrigatório dos bancos, para reduzir assim a quantidade de dinheiro em circulação e lutar contra uma inflação que se acelera e inquieta cada vez mais o governo.

A partir de 29 de novembro, os bancos chineses deverão colocar no banco central 18% de seus depósitos, contra os 17,5% atuais.

Esta é a quinta alta da taxa desde o começo do ano desta porcentagem de lastro obrigatório dos bancos na China. As quatro mudanças anteriores ocorreram em 10 novembro, em maio, fevereiro e janeiro.

A inflação se acelerou no mês de outubro a 4,4% ao ano, chegando a seu maior nível desde setembro de 2008. Mas os preços de algumas verduras aumentaram mais de 60% em um ano, provocando o descontentamento da população.

“O problema da inflação na China é um problema monetário, e houve muito dinheiro injetado na economia nos últimos dois anos”, declarou à AFP Erwin Danft, economista da BNP Paribas sediado em Hong Kong.

“A solução passará por limitar este fluxo”, segundo o analista, que espera “restrições mais severas no âmbito do crédito bancário” em um futuro próximo.

“É pouco provável que as autoridades possam controlar a inflação antes da metade de 2011”, opina Sanft.

Na quarta-feira, o governo – que já reconheceu que teria dificuldades em cumprir seu objetivo de limitar a 3% a alta de preços para 2010 – anunciou que estava disposto a recorrer, se necessário, ao controle de preços de produtos de primeira necessidade, além de matérias-primas necessárias para a produção e a energia.

No passado, o aumento dos preços ao consumo provocou distúrbios sociais na China. O governo garante que estas medidas têm por objetivo proteger os mais pobres.

O banco central tenta frear a expansão da massa monetária, gerada pelo aumento do volume de novos empréstimos, que quase duplicaram durante o ano passado.

Nesse contexto, no dia 19 de outubro o banco central aumentou pela primeira vez em três anos suas taxas de juros.

“O Banco Popular da China (central) está sob pressão” para enfrentar a inflação “e precisa fazer algo para mostrar sua determinação de dominar” o aumento dos preços, afirmou em uma nota Lu Ting, economista na China do Bank of America-Merrill Lynch.

“Entretanto, (o banco central) não tem a intenção de frear o crescimento mediante um forte aumento das taxas de juros, ou impondo estritas restrições aos empréstimos. Elevar a taxa de lastro obrigatório dos bancos era então a opção natural”.

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