04/01/2002 - 8:00
No centro da recessão global que encolheu o faturamento das companhias e golpeou milhões de empregos há um chip: nunca o setor de tecnologia interferiu tanto nos rumos da economia. Logo, para que a retomada aconteça em 2002, é imperativo que consumidores e empresas voltem a trocar seus insumos digitais: computadores, software e serviços especializados de consultoria. De 1995 a 2000, esses gastos chegaram a representar 25% do crescimento do PIB americano e incentivaram o desenvolvimento de companhias como Cisco, Sun, IBM e Motorola. De junho de 1999 a junho de 2000, este setor representou três quartos do crescimento da produção industrial nos Estados Unidos. Os tigres asiáticos se destacaram na produção de eletroeletrônicos. Centros de desenvolvimento tecnológicos surgiram em regiões distantes como China e Índia. Empresas como Compaq, Intel e Samsung deslocaram operações para a América Latina com o objetivo de suprir mercados regionais e exportar. ?A tecnologia foi a força propulsora para o boom dos anos 90 e não haverá uma recuperação forte da economia sem a retomada desse setor?, disse à DINHEIRO Michael Mandel, economista americano e autor do livro Depressão.com, lançado no Brasil pela Editora Record.
Isso, porém, não acontecerá tão rápido. Uma pesquisa realizada pela Forrester Research indica que as corporações, animadas com o clima de gastança, desembolsaram 12% a mais do que precisavam em produtos e serviços de Tecnologia da Informação no ano passado. Sendo assim, boa parte delas deve permanecer em 2002 digerindo o que já comprou. O roteiro ficou mais dramático com os ataques terroristas de setembro em Nova York. O Giga Information Group, por exemplo, previa que em 2001 os gastos em tecnologia da informação seriam 3% menores do que em 2000, mas recentemente reviu a estimativa de queda para 5%. Para 2002 as previsões também foram refeitas para baixo. ?Enquanto alguns setores, como os softwares, devem sair da recessão mais rapidamente, outros, como o setor de telecomunicações e de semicondutores, terão uma recuperação mais lenta?, disse à DINHEIRO John Gantz, chefe de pesquisas do IDC nas proximidades de Boston, Estados Unidos.