03/11/2000 - 8:00
Quem entrou no site O Bom da Vida, em junho último, buscando presentes para o Dia dos Namorados, pôde ver uma sugestão realmente diferente e sedutora. Um passeio de helicóptero sobre São Paulo, ao cair da tarde, partindo do Hotel Meliá, um cinco estrelas. Na volta, um jantar e um bom6 pernoite no hotel. Preço do mimo: R$ 500,00. Coisas como estas ? diferentes, de bom gosto e muitas vezes caras ? são produtos de um novo tipo de site de vendas pela Internet no Brasil, onde não há promoções nem sorteios. São poucos e têm estratégias parecidas. Apostam em conteúdo de gastronomia, enologia, moda, que atraia um público seleto, para o qual vendem produtos caros que expõem as marcas de seus patrocinadores. ?O Bom da Vida é um site de entretenimento e informação, dirigido a um público classe A?, define Paulo D?Andrea, responsável pelo site. Ele está há três meses no ar com média de 26 mil pageviews por mês. Tem 2.200 usuários cadastrados, homens e mulheres na faixa de 35 anos, a maioria executivos e com renda média em torno de R$ 8 mil. Ele espera que o investimento inicial, US$ 300 mil, dê retorno em dezesseis meses.
A tendência que começa a ganhar força no Brasil dá sinais de cansaço nos Estados Unidos. Os produtos de preços mais elevados não encontram compradores, exceção feita a equipamentos de informática e passagens aéreas. ?Um dos problemas deste negócio é a falta de escala?, alerta Júlio Lobos, da Júlio Lobos Consultores Associados. Ele acredita que quem já comprava, antes da Internet, em lojas da 5ª Avenida, vai continuar prescindindo da rede. Há aí uma barreira cultural. Uma das vantagens do comércio eletrônico é oferecer os mesmos produtos que as lojas reais, por um preço mais em conta. ?Ninguém que compra um Rolex gosta de dizer que pagou menos por ele num site?, diz Lobo. Gabriel Pupo Nogueira, que dirige o Taste, diz que seu site vende coisas de bom gosto, mas não necessariamente caras. ?Você vai encontrar relógios Nathan que custam R$ 12 mil, mas também vinhos importados por R$ 15.? O Taste espera faturar com as comissões que cobra sobre vendas, entre 5% e 10%, e acordos com patrocinadores. O iG, portal popular, aderiu à moda e trouxe o site Chic.com.br, que conta com a recém contratada consultora de moda Glória Kalil. Ela concorda. ?Nem tudo que é caro é de bom gosto.? Os produtos de moda e beleza indicados por Glória serão vendidos no shopping do iG e o Chic terá um percentual sobre vendas.