Os paulistanos Rodrigo Ortiz, descendente de italianos, e David Misan, de origem árabe, são amigos de colégio. O paranaense Robson Shiba, neto de japoneses, e o mineiro Gledson Fernandes, de sangue lusitano, se conheceram na faculdade. Felipe Barreto, de família libanesa, nasceu em São Paulo, cresceu em Brasília e é colega de profissão de Shiba. Mas o que esses cinco rapazes vindos das mais diferentes tribos têm em comum? Essencialmente, o gosto pela culinária, que acabou gerando a parceria num negócio que promete agradar a gregos e troianos. Lançaram em dezembro, em São Paulo, o churrasquinho grego com grife, o MisterGyros. A lanchonete oferece o tradicional sanduíche vendido na Grécia, que inspirou a versão popular comercializada nos botecos dos quatro cantos do País. A iguaria até que chama a atenção de muita gente, mas poucos se atrevem a experimentá-la por duvidarem da procedência da carne, sem dizer a gordura, que salta aos olhos. A MisterGyros chega para desfazer essa má impressão, apostando na qualidade dos ingredientes. Sua receita é elaborada com carnes de primeira, bovina ou de frango, temperadas com especiarias mediterrâneas, assadas num grill vertical e talhadas em fatias finas na hora do pedido. O recheio é enrolado em forma de cone no pão pita (tipo árabe). O toque é o molho à base de iogurte.

A mudança da imagem do churrasquinho grego tem o aval de dois sócios de peso. Shiba é dono de um dos maiores grupos de restaurantes fast food do País, que tem entre outras marcas a China in Box (comida chinesa), o Gendai (japonesa) e o Brevità (italiana). Das 210 lojas dele, entre próprias e franqueadas, saem mensalmente mais de 2 milhões de refeições, que somam uma receita anual de R$ 40 milhões. Com o Mister Gyro?s, o dentista que abandonou o ofício três anos após formado, inaugura mais um andar dessa verdadeira Torre de Babel da gastronomia. Além dele, o novo empreendimento conta com a experiência de Barreto, dono da quarta maior rede de refeições rápidas do Brasil, a Giraffas, que tem 182 unidades e fatura R$ 180 milhões por ano. ?Quem sempre quis comer um churrasquinho grego, agora vai ter essa chance?, afirma Shiba. Os sócios só não revelam o investimento no projeto, que futuramente deverá ter franquias. A instalação da primeira loja custou R$ 150 mil.

O curioso é como o negócio nasceu. Herdeiros de damília de importadores e com formação acadêmica em administração de empresas e economia de faculdades renomadas, Ortiz e Misan decidiram abrir um negócio próprio. Pensaram na comida grega após provar o gyros na Grécia. Enquanto isso, na mesma época, Fernandes, que sempre quis provar a guloseima em São Mateus, bairro de classe baixa de São Paulo, onde trabalha como dentista (ele se formou com Shiba), sugeriu ao amigo e empreendedor a lançar um produto do gênero. A idéia ganhou fôlego quando Shiba encontrou Barreto em uma feira internacional de alimentos, no ano passado, e os dois decidiram apostar na idéia. Voltando ao Brasil descobriram que a dupla Ortiz e Misan já estava a beira de abrir uma loja do gênero na região central da capital paulista. Foram atrás dos dois e fizeram negócio.

Novatos no ramo de alimentação, Ortiz e Misan mal acreditaram na sorte grande. ?Começamos com o pé direito?, diz Ortiz. Shiba teve mais trabalho que os ?meninos?, como ele chama os idealizadores da marca MisterGyros. Experimentou comida chinesa nos Estados Unidos, retornou ao Brasil e convenceu, depois de muita lábia, o pai a vender o único imóvel da família, que valia cerca de R$ 100 mil em 1992. Foi nesse ano que inaugurou o primeiro endereço da China in Box. Hoje tem filiais até no exterior: são cinco China in Box no México. Os planos dos rapazes para a rede grega? Os ?meninos? querem mais quatro lojas em 2006, uma em Goiânia e o resto em São Paulo. Mas Shiba enxerga muito mais longe: projeta 60 unidades da MisterGyros em cinco anos. Alguém duvida?