29/01/2015 - 12:15
Rômulo Dias, presidente da Cielo, estima um crescimento menor da companhia em 2015
Apesar de ter apresentado números positivos em 2014, o resultado da Cielo não agradou os investidores. Na manhã desta quinta-feira 29, as ações caiam 1%. O principal motivo: a empresa utilizará parte dos lucros para fortalecer o caixa e sustentar o programa de recompra de ações, medida necessária para levar adiante a joint venture com o Banco do Brasil. Com a operação, os acionistas vão passar a receber menos proventos, o que justifica o mau humor do mercado.
Anunciada em novembro do ano passado, a joint venture com o Banco do Brasil, já aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), deu origem a uma empresa com capital de R$ 11,6 bilhões. Do montante, a Cielo será responsável por aportar R$ 8,1 bilhões. No período, entre outubro de 2013 e setembro de 2014, o lucro proforma da nova empresa foi de R$ 568 milhões. “Esse negócio representa a diversificação de receita relacionada a pagamento eletrônico”, disse Rômulo Dias, presidente da Cielo, em teleconferência com analistas. O executivo explica que a nova companhia será responsável pelas contas de pagamento de crédito e de débito do Banco do Brasil nas bandeiras Visa, Mastercard e Elo.
Por isso, a Cielo propôs a retenção de 40% do lucro de 2014 para fortalecer o caixa em 2015, em um cenário de desaceleração de crescimento e queda de margens. A companhia utilizará os lucros do segundo semestre para pagar R$ 0,45 por ação em dividendos e R$ 0,04 por ação em juros sobre capital próprio.
Resultados de 2014
Em 2014, a Cielo intermediou um total de R$ 5,6 bilhões em transações, crescimento de 15,5% em comparação aos R$ 4,9 bilhões de 2013. A receita líquida da empresa, no ano passado, foi de R$ 7,7 bilhões, alta de 14,7% em relação a 2013. Já o lucro líquido, de R$ 3,2 bilhões, superou em 20,4% os ganhos de 2013. “Para 2015, esperamos um crescimento abaixo do mercado e estimamos perda de participação em função do aumento da concorrência”, disse Dias.
Quarto trimestre de 2014
No quarto trimestre de 2014, a companhia teve lucro líquido de R$ 805,6 milhões, crescimento de 11,4% em comparação com o mesmo período de 2013. A receita líquida da companhia subiu 14,9% para R$ 2,1 bilhões, influenciada por períodos de alta do dólar na receita gerada nos Estados Unidos. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 924,6 milhões, avanço de apenas 1,3%.

