09/10/2020 - 10:20
Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2020, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) é uma organização poderosa que opera há quase seis décadas em áreas assoladas por desastres naturais, ou por conflitos armados, para levar ajuda emergencial a populações sem recursos.
Conheça mais sobre esta agência das Nações Unidas, com sede em Roma:
– Gênese
O PMA foi criado em 1962, a pedido do então presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, para dotar oficialmente a recém-criada ONU de uma agência alimentar.
Na realidade, “o PMA nasceu do desejo do governo americano de apoiar sua agricultura nacional, comprando os excedentes agrícolas nos Estados Unidos e distribuindo-os nos países em desenvolvimento”, explica um funcionário do PMA, que pediu para não ser identificado.
O PMA tinha apenas alguns meses de existência, quando um terremoto atingiu o norte do Irã, matando 12.000 pessoas.
Em 1963, foi lançado o primeiro projeto de alimentação escolar do PMA e, em 1965, a agência foi plenamente integrada às Nações Unidas.
– De barco, avião, ou de burro
Pelo menos 1,1 milhão de mulheres e crianças menores de cinco anos se beneficiam do apoio nutricional do PAM todos os meses, como acontece na Síria.
O PMA também trabalha na República Democrática do Congo, nos estados afetados pela insurreição do Boko Haram na Nigéria, em Burkina Faso, no Mali, no Níger e no Sudão do Sul.
“A resposta de emergência [do PMA] no Iêmen é a maior do mundo”, relata a organização em seu site, acrescentando que cerca de 10 milhões de iemenitas “estão em situação de insegurança alimentar aguda”.
O PMA freta o equivalente a 5.600 caminhões, 30 navios e quase 100 aeronaves todos os dias, geralmente por meio de ONGs e de transportadoras privadas. Em nível local, em alguns países, o programa alcança áreas remotas de burro.
– Ação e distribuição de recursos
Ao longo de sua trajetória, o PMA mostrou grande “sofisticação” em seus meios de atuação.
Embora suas primeiras missões consistissem, principalmente, em levar alimentos do ponto A para o ponto B, hoje, o PMA opera por meio de programas alimentares, educacionais e nutricionais; distribui os fundos arrecadados para fazer o melhor uso deles; assim como vales-compra, ou mesmo quantias em dinheiro.
Seu papel na educação das populações para que adotem uma boa alimentação também é essencial.
“Antes, dávamos calorias, agora, enfatizamos necessidades particulares, como no caso de gestantes e lactantes. Isso passa pela educação local. Se há crianças mal alimentadas, isso se deve tanto à falta de acesso à alimentação quanto à prevenção, com lavagem das mãos etc.”, explica o responsável.
– Missões
O PMA se concentra na ajuda de emergência, na reconstrução e na ajuda ao desenvolvimento. Dois terços de seu trabalho são realizados nas zonas de conflito.
“As situações estão cada vez mais complicadas. Com frequência, há uma confusão de papéis, entre militar e humanitário – caso, por exemplo, do Sahel, onde as ONGs são forçadas a operar com escoltas militares”, relata o funcionário da ONU.
O Programa trabalha em estreita colaboração com outras duas agências da ONU, com sede em Roma: a FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura) e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida).
Com 17.000 funcionários, o PMA é inteiramente financiado por doações, a maioria procedente dos Estados. Em 2019, arrecadou US$ 8 bilhões.
Sem o PMA, “os financiadores teriam que passar por uma miríade de ONGs, o que tornaria a coordenação extremamente difícil”, disse o funcionário.
– Fome pandêmica
Mais de 821 milhões de pessoas no mundo sofrem de fome crônica, e outros 135 milhões vivem com fome, ou têm deficiências críticas na dieta. Outros 130 milhões poderão se somar a este total, em função da pandemia.
O número de pessoas vivendo em um quadro de insegurança alimentar aguda no mundo aumentou quase 70% nos últimos quatro anos. E, agora, com a crise econômica provocada pela crise da saúde, pode-se chegar a uma situação de “pandemia de fome”, alertou o PMA, apontando América do Sul e a África Austral, Central e Ocidental como regiões mais vulneráveis.
“Precisamos urgentemente de apoio adicional dos doadores, que, é claro, estão sob grande estresse com o impacto da pandemia em seus próprios países”, reconheceu o porta-voz do PMA em Genebra, Tomson Phiri.
ljm-ide-nl-gab/pz/jvb/pc/tt