Na semana em que as corretoras da Bovespa preparavam um protesto contra a fuga de capitais rumo a Nova York, sir David Howard, prefeito do centro financeiro de Londres, a City, veio ao Brasil para oferecer mais motivo para reclamação. ?Queremos que empresas brasileiras coloquem suas ações na Bolsa de Londres?, disse sir David em entrevista exclusiva a DINHEIRO. Pudera. Os ganhos gerados pelas aplicações dos investidores de fora no pregão londrino correspondem a 5,8% do PIB britânico. Para tentar engordar essa fatia, Howard, o 673.º Lord Mayor, visitou o Banco Central, Bovespa, BMF e Fiesp, vendendo as vantagens da capital inglesa em relação a seus concorrentes americanos. A City movimenta 32,3% do mercado mundial de capitais estrangeiros (quase o dobro dos Estados Unidos), e é o principal centro de câmbio e derivativos. Hoje, 520 companhias internacionais negociam em Londres e 70% de todas as captações em eurobônus são feitas ali. Isso, às expensas de bolsas de outras regiões, especialmente da Ásia.

Howard não quer apenas que companhias brasileiras lancem ações em Londres. Pretende também atrair bancos e corretoras. Para ele, a participação verde-amarela na terra da Rainha é muito pequena. Ali há somente filiais do Banco do Brasil e do Mercantil Finasa, num mar de 481 instituições estrangeiras. Para aumentar essa fatia, o prefeito da City tem um grande obstáculo em seu caminho: Wall Street. Mais de 40% das transações brasileiras são realizadas em Nova York. Mas Howard acredita que os EUA, no fundo, só querem saber das companhias domésticas. ?Não queremos fazer concorrência aos EUA, apenas comparar as vantagens e benefícios que o Reino Unido oferece?, alfineta.

O fato é que, assim como outras praças, o mercado financeiro inglês não está imune aos efeitos da desaceleração mundial. Desde o início do ano a Bolsa de Londres caiu 20%. ?Quando os mercados estão em queda é a melhor hora para fazer novos contatos, se mostrar?, avalia sir David. O Lord Mayor é uma figura quase tão famosa no Reino Unido quanto a rainha. Em datas comemorativas ele desfila com trajes antigos, peruca branca e um medalhão cravejado de diamantes que vale US$ 13 milhões. Na visita ao Brasil, no entanto, Howard usou ternos sóbrios e trouxe apenas uma réplica da jóia. ?O original não pode sair da Inglaterra?, explicou. A peruca branca também não saiu da mala. Os assessores do prefeito desconfiaram que tirar fotos com ela seria aquilo que, no jargão do mercado, se chama de ?pagar mico?.