O financiamento do setor bancário às empresas dos clãs Ben Ali/Trabelsi foi avaliado em 2,5 bilhões de dinares (1,3 bilhão de euros), sendo 430 milhões de dinares (224 milhões de euros) deste montante sem garantia de reembolso, informou nesta quarta-feira o Banco Central da Tunísia (BCT).

“O setor bancário financiou 182 empresas econômicas das famílias Ben Ali e Trabelsi, além de outras pessoas relacionadas a eles. O financiamento é avaliado em 2,5 bilhões de dinares, ou seja, 5% do volume total de financiamentos dos setores bancários do país”, declarou durante uma coletiva de imprensa o governador do BCT, Mustapha Kamel Nabli.

“71% destes financiamentos são recuperáveis, havia garantias. Mas 430 milhões de dinares representam créditos de risco, sem garantia” de recuperação, acrescentou, precisando que esses créditos haviam sido concedidos por bancos dos setores público e privado.

Dos 2,5 bilhões de dinares, 1,3 bilhão de dinares seriam para o lançamento de quatro projetos: Tunisiana e Orange (telecomunicações), cujos genros do ex-presidente Ben Ali, Sakher el-Materi e Marwan Mabrouk, são os principais acionistas, Cimento de Carthage e Tunisie Sucre, acrescentou o governador.

As famílias e próximos do presidente deposto no dia 14 de janeiro Zine El Abidine Ben Ali, no poder por 23 anos, e de sua mulher Leila Trabelsi teriam roubado muitas riquezas do país, segundo denúncias.

No início do mês, a União Europeia congelou os bens da família e de outras 46 pessoas. Outros países fizeram o mesmo, como, por exemplo, a Suíça, onde o montante congelado chega a dezenas de milhões de francos suíços, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

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