Quantos brasileiros têm US$ 20 milhões sobrando hoje em dia? E quantos teriam coragem de torrar essa bolada numa viagem espacial? O americano Chuck Sammons, vice-presidente da agência de turismo Space Adventures, aposta que não são poucos. Na semana passada, ele esteve em São Paulo com duas missões, uma oficial e outra secreta. A oficial: contar que sua companhia foi contratada pela subsidiária nacional da Volkswagen para mandar clientes da montadora para o espaço em 2005. E secreta: procurar um parceiro local que convença os milionários do País que entrar em órbita é o maior barato. ?Onde há grandes empresas, há empresários e executivos que podem comprar nossos pacotes?, diz Sammons.

A Space Adventures é a única do mundo que leva civis para curtir férias na Estação Espacial Internacional. A viagem custa US$ 20 milhões e já foi feita por dois passageiros (um terceiro parte em abril do ano que vem). No entanto, esse não é o negócio mais lucrativo da companhia, fundada em 1998, na Virgínia (EUA). ?Ficamos com a menor parte do dinheiro. Cerca de 80% vão para a Agência Espacial Russa, dona das espaçonaves?, detalha Sammons. O grosso do faturamento (ele não revela quanto é) vem de jornadas estelares mais simples e mais baratas. Entre elas, um vôo a 100 km de altitude, semelhante ao que permitiu ao cosmonauta russo Yuri Gagarin dizer ?A Terra é azul?, em 1961. Custa US$ 100 mil e será feito por um cliente da Volks brasileira em 2005. Na promoção lançada pela montadora na quinta-feira 15, outros dez sortudos poderão flutuar num vôo sem gravidade ? aventura de US$ 7 mil.

 

O mercado mundial de viagens espaciais é estimado em US$ 10 bilhões ao ano. E quem
de fato o movimenta não são milionários excêntricos como o americano Dennis Titto e o sul-africano Mark Shuttleworth, já colocados em órbita pela Space Adventures. ?Parcerias como a que fizemos com a Volkswagen estão se tornando bastante comuns?, diz Sammons. Grandes corporações como Nokia, Pizza Hut, Pepsi, Gillette já contrataram a operadora americana. Nos Estados Unidos, quem voa
pela US Airways, por exemplo, pode trocar milhas por viagens espaciais. A Volks não revela quanto investiu no projeto. São R$ 500 mil, se contabilizadas apenas as onze viagens a serem sorteadas. ?Sai mais barato do que dar 80 casas?, afirma Paulo Kakinoff, diretor de marketing da montadora, lembrando de uma promoção recente da Nestlé. Mais barato e mais impactante. ?O setor de automóveis cresceu 2% no primeiro trimestre deste ano. A Volks, 11%. Precisávamos de algo inédito para manter o ritmo?, explica o executivo. Nunca foi tão bom mandar os clientes para o espaço.