28/07/2001 - 7:00
Ao inaugurar o seu escritório no bairro negro do Harlem, em Nova York, na semana passada, o ex-presidente Bill Clinton virou a alegria dos corretores imobiliários da região. O bairro de 500 mil habitantes está em pleno processo de revitalização, após anos de descaso provocado pela presença de gangues e traficantes de drogas. Na sua próxima visita a Nova York, quem sabe o Harlem já não seja parte obrigatória do seu roteiro. Pelo menos, essa é a expectativa do mercado imobiliário local. A intenção é a de que o Harlem vire a próxima escala do movimento de vanguarda que fez renascer bairros como Soho e Tribeca, cujos galpões abandonados se transformaram em cobiçados lofts e charmosos restaurantes.
Daqui para frente, esbarrar com o ex-presidente dos Estados Unidos pelas ruas do antigo gueto nova-iorquino não será difícil. Clinton poderá ser visto saboreando um frango defumado do tradicional restaurante Sylvia?s ou as famosas costelas do Emily?s. Quem sabe até o ex-presidente dê uma passada na Riverside Church para ouvir cantos Gospel. De quebra, poderá realizar
seu sonho de infância: tocar saxofone no histórico teatro Apollo, por onde passaram
os maiores nomes do jazz e que acaba
de ser restaurado.
Vale a pena acompanhar agora a performance imobiliária do Harlem, onde o metro quadrado custa em média US$ 320 contra os US$ 900 cobrados na área nobre de Manhattan. Foi essa diferença de preço que fez Clinton optar pela cobertura de um edifício de 14 andares recém-reformado, em pleno coração do Harlem. Com um área de 800 metros quadrados e vista para o Central Park, o escritório vai abrigar uma equipe de dez assessores. O engajado quartel-general de Clinton vai custar algo em torno de US$ 350 mil por ano. ?Sinto-me em casa?, afirmou ele à multidão que se aglomerou em frente ao prédio no seu primeiro dia de trabalho.