A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, telefonou nesta quinta-feira ao primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, para pedir que prove sua “sinceridade” sobre a criação de um Estado palestino.

A chefe da diplomacia dos Estados Unidos também convidou os países árabes a “agir” mais para apoiar o processo de paz no Oriente Médio, em particular os esforços da Autoridade Palestina.

Em conferência sobre o Oriente Médio realizada em Washington, Hillary Clinton lembrou que “Netanyahu aceitou a ideia de uma solução de dois Estados (vizinhos)”, mas estimou que as ações do líder israelense “não são prova suficiente de sua sinceridade” sobre uma convivência pacífica de Israel com um Estado palestino.

A secretária de Estado foi direta ao afirmar que Israel “precisa evitar os comunicados e as ações unilaterais” que possam minar os esforços de paz.

“Alentamos Israel a manter o movimento para uma paz global demonstrando respeito pelas aspirações legítimas dos palestinos, detendo a colonização e atendendo às necessidades humanitárias de Gaza”.

Clinton advertiu ainda que a longa suspensão do processo de paz reforça os extremistas, incluindo o movimento palestino Hamas, o libanês Hezbollah e o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad.

“Cada retrocesso na mesa de negociações e cada foco de violência minam os esforços dos que buscam resultados positivos na região, dos que desejam virar a página e se concentrar na construção de um Oriente Médio mais próspero”.

Clinton também se dirigiu aos países árabes da região para destacar que “é de seu interesse avançar (…) com ações, e não apenas com retórica, para ajudar os palestinos a prosseguir com as negociações e obter um acordo”.

A secretária de Estado se referia à chamada Iniciativa de Paz Árabe, na qual os Estados Árabes concordam com a normalização das relações com Israel em troca de uma retirada dos territórios palestinos.

“Se a iniciativa de paz dos árabes é uma oferta genuína como parece ser, então não deveríamos enfrentar ameaças de certos países árabes de abandonar a mesa a cada problema”.

Os esforços realizados pelo governo do presidente Barack Obama há meses visando relançar o processo de paz no Oriente Médio geraram uma crise política entre Washington e Israel.

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